“Quando as palavras perdem o significado as pessoas perdem sua liberdade”. Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.)

Existem palavras ou expressões que, de tanto ser deturpadas, acabam perdendo seu significado. O wikipedia designa tais palavras como weasel words, explicando que elas geralmente são utilizadas para “criar uma ilusão de uma comunicação clara e direta” no ouvinte. Uma das expressões que há muito perderam seu significado atende pelo nome de “prática republicana”. É urgente resgatar esta expressão do limbo em que ela foi lançada. Ora, desde logo é preciso afirmar que cooptar deputados com o uso de recursos, ao invés de projetos e idéias, não constitui prática republicana. Apregoar que determinado líder não pode ser julgado como uma pessoa comum também não. Impedir a investigação de seus atos, inibindo a ação da Receita Federal, tudo para poder contar com o apoio de seu partido nas próximas eleições, muito menos. Este último fato, aliás, se vier a ser confirmado, constituirá esta sim uma nódoa ‘nunca antes vista na história deste país’. “Prática republicana” é, bem ao contrário, tratar todos os cidadãos como iguais perante a lei, não importando seu curriculo e galardões. É fomentar o princípio da meritocracia, evitando o apadrinhamento e o nepotismo. É irônico que aqueles que mais utilizaram tal expressão nos últimos anos tenham sido os responsáveis por violentar completamente o seu significado. É ironico mas compreensível, pois ainda segundo o wikipedia “palavras weasel são geralmente expressas com imprecisão deliberada com a intenção de enganar os ouvintes”. Quando Alice, na memorável obra de Lewis Carrol “Alice no pais das maravilhas” questiona o uso de certas palavras, Humpty Dumpty responde, com desdém:“Quando eu uso uma palavra, ela significa exatamente o que eu escolhi como seu significado, Alice retruca: “A questão é se você pode fazer com que as palavras signifiquem tantas coisas”. Humpty Dumpty então conclui: “A questão é saber quem é que manda – isto é tudo!”. Sabemos quem manda no Brasil, mas mesmo o mais simples dos brasileiros sabe quando as coisas chegaram a um ponto perigoso de deterioração e mentira. O lema do presidente Juscelino era de que seu governo faria 50 anos em cinco. Infelizmente, no campo da ética e do trato da coisa pública, retrocedemos 50 anos em cinco.

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1 comment

  1. Francisco Mendes

    “Existem palavras ou expressões que, de tanto ser deturpadas, acabam perdendo seu significado.” VERDADE, as palavras ganham outros significados. É a dinâmica da linguagem.

    “Uma das expressões que há muito perderam seu significado atende pelo nome de ‘prática republicana’. É urgente resgatar esta expressão do limbo em que ela foi lançada.” RESGATAR ou interpretar seu sentido atual. A REPÚBLICA, coisa pública, sempre foi uma bandeira jamais carrega pelo povo. Como a maior parte das ideologias que sempre são controladas por grupos menores — a esquerda ou a direita (não importa).

    A prática republicana democrática exige um amadurecimento longe de ser alcançado por qualquer povo sobre à Terra. Está longe, mas os passos já foram dados e devem continuar. É a dificuldade que nos faz evoluir.

    “Nunca antes” aconteceu práticas reprováveis? Não querendo ser grosseiro, mas essa afimação só pode ser brincadeira. A história é testemunha de práticas absurdas que já ocorreram e não chegam nem aos pés das que você relata.

    “Sabemos quem manda no Brasil, mas mesmo o mais simples dos brasileiros sabe quando as coisas chegaram a um ponto perigoso de deterioração e mentira.” Não sei quem manda no Brasil. Mas sei que não é o Governo, muito menos o Legislativo, o Judiciário ou qualquer instância do Estado.

    Vivemos numa ilusão de democracia. E isso não é uma marca exclusiva deste governo. Acho injusto se atribuir o peso da mazelas históricas a um determinado grupo. O PT faz parte desse jogo, você e eu. O DEM, o PV, o PMDB,… não há exeções. Não sou jornalista, essa é minha opnião pessoal.

    Bom feriado de “7 de setembro” (porquê é feriado: por que é 7 de setembro).