A árvore da vida

Anteontem escrevi neste espaço um texto em defesa das usinas nucleares – geradoras de um tipo de energia que foi trazido para o centro do debate mundial desde o terremoto que abalou o Japão dias atrás.

Os estragos que o abalo causou à usina de Fukushima, como se sabe, expuseram os reatores e espalharam medo pela Ásia e pelo mundo. Como acontece toda vez que esse assunto é tratado, algumas pessoas se manifestaram a respeito. A maioria para criticar meu ponto de vista.

Mas continuo fiel ao mesmo princípio: tratada de forma responsável, a usina nuclear é importantíssima para o mundo. Volto hoje ao assunto para comentar alguns detalhes que ouvi ontem à tarde, durante o Fórum Mundial de Sustentabilidade, promovido pelo Lide e pela Seminars em Manaus.

Uma das opiniões veio durante a exposição lúcida e focada do ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger. Segundo ele, o erro não é construir usinas nucleares, mas erguê-las em regiões sujeitas a acidentes naturais de grandes proporções.

É, sem dúvida, um argumento de bom senso, ao qual se devem somar outras preocupações com a segurança. O essencial é aceitar que o mundo não pode abrir mão de uma fonte de energia tão eficaz e abundante quanto a nuclear.

Toda a exposição de Schwarzenegger girou em torno da necessidade de conciliar formas de geração de energia limpa com a criação de empregos e o desenvolvimento.

Esse é o ponto. À medida que essa discussão evoluir e transformar em princípio universalmente aceito a ideia de que a energia limpa é um estímulo, e não uma âncora para a economia, a humanidade inteira sairá ganhando.

Nesse cenário, torna-se interessante a mudança de posição do cineasta James Cameron a respeito da usina de Belo Monte. No ano passado, ele disse em Manaus que era contra o projeto pela agressão que ele representava à Amazônia.

Este ano, reconheceu que falou sem conhecimento de causa. Ignorava as necessidades do Brasil e o próprio projeto da usina. De lá para cá, se informou a respeito, conheceu a realidade e se convenceu de que Belo Monte é, sim, um empreendimento positivo. Como se vê, ainda há esperança sob a árvore da vida.

Fonte: Brasil Econômico, 25/03/2011

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