A coragem de acender a luz

Fábio Barbosa vê oportunidades de mudanças diante do atual cenário político do país

otimismo

*por Fábio Barbosa

Temos todos ouvido lamentações sobre as notícias de corrupção que estão diariamente nos jornais e como isso envergonha o país. Gosto de olhar por outra perspectiva. O que estamos fazendo no Brasil é acender a luz, algo de muita coragem que poucas sociedades ousaram fazer. Está sendo trazido à tona uma gama de comportamentos indevidos que — descobrimos agora — foram praticados por muito tempo, dentro do espírito de que “é assim mesmo”. Ter esses assuntos colocados à vista de todos é uma evolução muito positiva e até motivo de orgulho.

Não achemos que a corrupção e os desvios, mesmo na extensão que estamos agora tomando conhecimento, só acontece no Brasil como dizem muitos, até cabisbaixos. Isso não corresponde à verdade. O que é único e louvável é a determinação com que se está agora lidando com esse assunto.

Os maiores protagonistas desta grande e vasta limpeza são os juízes, integrantes da Polícia Federal, procuradores do Ministério Público, imprensa, entre outros. São eles, por meio das diversas delações premiadas e as informações a partir delas obtidas, que estão conseguindo desnudar o véu que encobria situações endêmicas de corrupção, antes de conhecimento apenas de seus operadores diretamente envolvidos.

Porém, nada disso teria ido adiante se não fosse o forte apoio da sociedade, ou seja, de todos nós. Mas nosso trabalho não se encerra somente com esse apoio, há coisas concretas que precisamos e podemos fazer, colaborando coletiva e individualmente. Como, por exemplo, redobrar a atenção nas nossas atitudes do dia a dia para evitarmos e também condenarmos os pequenos delitos que nos tentam. Limpar o país é tarefa grandiosa demais para um indivíduo, mas se cada um fizer a sua parte a tarefa fica mais fácil. Como diz o ditado: “se cada um varrer a sua calçada, o país estará limpo”.

É necessário destacar que a limpeza toda é necessária, mas ainda não será suficiente. Precisamos também garantir os próximos passos concretos na construção do país que desejamos e de uma sociedade que assegure a cada um de seus cidadãos a chance de poder lutar por uma vida digna. É só isso. É tudo isso.

Não podemos perder essa oportunidade preciosa de iniciarmos uma nova era. Depende de cada um de nós. Uma sociedade saudável só se constrói se estivermos calçados em valores sólidos e sempre agindo com total transparência. Tudo começa com a priorização da educação de qualidade, que engloba não apenas o conhecimento, mas também valores e princípios.

Mas tem mais. Temos que trabalhar nas reformas estruturantes (previdenciária, política e trabalhista), no equilíbrio das contas públicas, no arcabouço jurídico que estimule investimentos privados em infraestrutura, nas micro reformas que assegurem ganhos de produtividade, dentre tantos outros tópicos que precisam de atenção. É essa visão do que precisa ser feito e priorizado, embasada em valores éticos, que nos levará a ter o Brasil que queremos.

Vejo motivo para otimismo sim. Vejo mudanças em várias frentes. Estarmos discutindo valores, educação e reformas é um grande avanço, pois há poucos anos seria impensável. Vejo confirmada a tese que defendo há algum tempo, de que se a minha geração não deixou um Brasil melhor para os nossos filhos, ela deixou filhos melhores para o nosso Brasil. Os jovens de hoje têm maior consciência ambiental, ética e social. Por isso, há motivos para nos animarmos ao ver que nosso país está começando a mudar e — definitivamente — tem jeito.

Fonte: LinkedIn, 4/07/2017.

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