A culpa é do governo

Para o ministro Guido Mantega, não existe caos aéreo. Ocorre apenas que a economia está bombando, isso faz aumentar o fluxo de passageiros (poderia acrescentar, de carga) e, pronto, eis o “preço do sucesso”, na palavra do ministro.

Ora, é óbvio que a atividade econômica aumenta o movimento nos aeroportos, ainda mais quando se sabe que a maior parte das viagens se dá a trabalho. Portanto, dizer que os aeroportos estão cheios porque o país cresce é como dizer que os aviões não podem descer porque choveu e a pista está molhada. É verdade, mas não explica nada.

Assim como uma pista molhada pode ou não receber aviões, o crescimento pode ou não gerar o caos aéreo (e rodoviário, e portuário, etc). Se a pista for longa o suficiente e com caídas acertadas, se houver ranhuras corretas e se o sistema de aproximação das aeronaves for eficiente, a chuva e a pista molhada não impedem pousos e decolagens.
Do mesmo modo, se o governo, que controla todos os aeroportos e todo o sistema, tivesse um mínimo de planejamento, teria tomado as providências para atender a demanda crescente.

Acrescente aí que os aeroportos estão apertados há anos e que já existem diversos planos de ampliação, como mais uma pista e um terminal para Cumbica, mais terminais e trens para Campinas, só para ficar em São Paulo. Planos parados.

E que continuam parados. Todas as obras em andamento nos aeroportos são do tipo quebra-galho. Estão melhorando as ranhuras de Congonhas, mas se precisa de um novo aeroporto metropolitano.

E por aí vai.

Portanto, Mantega diz uma bobagem quando explica que a confusão nos aeroportos é o preço do sucesso. E outra quando assegura que o governo vai resolver tudo.

Há um caos e a culpa é inteiramente do governo.

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