Parece uma pergunta simples, mas nessa política de amoralidade maquiaveliana que se pratica no Brasil, nem tanto. Qual a imediata reação que um cidadão teria ao ser chamado de ladrão em praça pública? Na suposição de que ele não seja tal coisa, imediatamente viriam o susto, a indignação, o pronto rechaço:

– Espera aí, o Senhor me respeite!

Com mais ou menos polidez, o ofendido faria questão de dizer que não é ladrão coisa nenhuma, partiria para as vias de fato, ameaçaria de processo, se num botequim estivesse, andaria sobre as mesas ao encontro do ofensor, com aquela revolta que só a defesa da própria honra pode proporcionar.

No entanto, já li certa vez que poucas pessoas ouviriam um “canalha!” na rua sem a tentação de olhar para trás, como que finalmente descobertos por algum feito passado tenebroso.

Mas afinal, qual das duas reações seria a mais natural (e até mesmo a correta)? Não posso afirmar tão facilmente, mas na política do nosso país, cada dia mais parece que o canalha latente passeando pelas ruas é o tipo mais comum.

Um político sobrevive, dentre tantas outras coisas, de sua imagem. Ele precisa ser alguém que inspire os outros a liderá-los. Em várias partes do mundo – e no decorrer da história da humanidade – a política sempre foi atividade de notáveis. A honra, portanto, deve ser algo caro a quem se dedique a tão nobre e velha arte, e pelo menos as aparências deveriam ser mantidas.

E assim chego finalmente à defesa desastrada que encontro no atual governo do PT e dos seus aliados, ideológicos ou da tal base aliada, além dos militantes do partido e de toda a sua imensa rede de funcionários na internet, seja em blogs, portais e até mesmo em espaços para comentários.

Os políticos e grande parte da “militância” petista ao ouvir o tal “ladrão!”, não se indignam e nem andam nervosamente, sem olhar para trás, com medo do passado. Ao contrário, eles páram, olham nos olhos do acusador e fulminam:

– Mas Fulano também é ladrão e você, que ma acusa, não tem credibilidade!

Não sei ao certo onde ou quando alguém decidiu que isso é sequer uma resposta, que dirá uma boa resposta, porque só posso considerar um desastre. Quem faz isso abdica do seu direito de defesa, assume a culpa e logo em seguida tenta justificar o injustificável, utilizando o famigerado “todo mundo faz igual”.

Parece pouco para o partido que durante 20 anos se orgulhou em dizer que “não rouba, nem deixa roubar” e parece muito pouco para a democracia que o Brasil pretende e deve ser.

No fim, assistimos sempre o governo e seus esbirros atacando a imprensa, a oposição, a burguesia, os estadunidenses, o governo FHC, todos, no entanto, aparentemente incapazes de dizer algo como “Espera aí! O José Dirceu não é culpado de nada!”,  “O caso Celso Daniel não é suspeito coisa alguma!”, “O companheiro Delúbio nunca fez nada de errado!”.

Será que só fazem isso porque nem eles mesmos conseguiriam dizer estas coisas sem sentir uma certa vergonha (ou sem cair na gargalhada)? Em todo caso, é uma defesa desastrada e o Brasil  não merecia isto.

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