A estratégia do pânico

O intervencionismo está novamente em voga.  Por toda parte, há especialistas defendendo enfaticamente que os governos gastem fortunas, ainda que a maioria dos governos não disponha dessas fortunas.  Do leigo ao Bispo, do peão ao empresário, quase não há quem duvide de que esta é a fórmula da felicidade.  A palavra de ordem é gastar, ainda que muitas vezes ela venha maquiada pelo eufemismo “dar liquidez”.  A quimera do momento é evitar a recessão, custe o que custar.

Num livro lançado há pouco nos EUA, “Neither Liberty nor Safity”, o economista e historiador Robert Higgs reúne inúmeras evidências históricas que demonstram como a insegurança econômica, a vulnerabilidade a inimigos externos ou internos e as catástrofes ambientais foram usadas através dos tempos para expandir o tamanho do Estado e a intervenção dos governos na esfera privada.  O livro é bastante didático ao explicar, por exemplo, como os governos – malgrado sua indelével vocação para a ineficiência e o desperdício de dinheiro alheio – crescem exponencialmente em momentos de crise (real ou fabricada), e por que raramente retornam ao seu tamanho original depois que elas cessam.

Segundo Higgs, nossa constituição física e psicológica nos predispõe ao medo, seja ele oriundo de ameaças reais ou potenciais, inclusive aquelas que existem somente em nossa imaginação.  Infelizmente, os políticos entendem perfeitamente esta peculiaridade da natureza humana, e a exploram de forma eficiente. Eles sabem que dependem do pânico para assegurar a submissão da sociedade, o consentimento popular aos ditames oficiais e a cooperação afirmativa com suas aventuras. “Esta crise nos dá oportunidade de fazer coisas que não podiamos fazer antes”, confessou ao “The Wall Street Journal” o primeiro secretário de Obama, Rhan Emmanuel.

Assim como seu assessor, o presidente também sabe que a disseminação do pânico é o caminho mais fácil para impor decisões controversas e, não raro, oportunistas.  Para fazer passar esse verdadeiro assalto ao bolso dos americanos, por exemplo, Mr. Obama vem utilizando a estratégia de superestimar as previsões de desemprego, ciente de que a estabilidade no trabalho é algo muito caro à maioria dos homens, o que os torna predispostos a pagar o preço que for necessário, ainda que sem qualquer garantia de que a mercadoria adquirida lhes será entregue.

Se acreditarmos no que nos dizem alguns dos mais influentes formadores de opinião, seremos levados a concluir que os EUA passam talvez por uma depressão ainda pior do que a dos Anos 30.  É interessante notar que, além dos indefectíveis pedidos de mais verbas, o alarmismo aparece quase sempre acompanhado de estatísticas estapafúrdias, como a recente divulgação de que o número de demitidos nos EUA, em 2008, teria sido o maior desde o fim da Segunda Guerra.

Ora, não é preciso ser nenhum perito para compreender que há algo muito estranho com tal comparação, afinal a população americana economicamente ativa naquela época era menos da metade da atual.  Assim, quando expressos em termos relativos, tanto a taxa de desemprego quanto o número de novas demissões ainda estão distantes até mesmo dos índices da recessão de 1981-82.  Em estatística, comparar números brutos, independentemente do universo pesquisado, é um exemplo típico de desonestidade intelectual.

Uma outra estratégia, utilizada amiúde para dar credibilidade às ações pretendidas, é apelar para a existência de supostos consensos.  A exemplo do que ocorre há anos com o aquecimento global, agora o governo americano informa que “há consenso” entre economistas sobre seu plano para estimular a economia.  Errado!  O Cato Institute divulgou um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas de proeminentes economistas, entre os quais 3 Prêmios Nobel, que recusam esse consenso.  Pior: muitos acham que o voluntarismo estatal só irá piorar as coisas.

Ademais, é importante compreender que não estamos diante de questões meramente econômicas, mas essencialmente morais. Milhões de indivíduos que nada fizeram de errado, bem como seus filhos e netos, serão forçados a pagar a conta dos equívocos de investidores e governantes no mínimo imprudentes, sem qualquer garantia de que os tais planos de salvamento, apoiados muito mais sobre os pilares do messianismo político do que da ciência econômica, realmente funcionarão.

Estará morto aquele mundo em que as escolhas tinham consequências? Onde a isensatez era penalizada e a prudência premiada?

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