A liberdade dos marcianos

Roberto Rachewsky

Todos sabemos que Marte é um planeta inóspito e desabitado.

O planeta vermelho possui escassez total dos elementos que permitiriam aos seres humanos viver lá com a mesma facilidade que vivem na Terra.

Para sobreviver em Marte, teríamos que utilizar todos os conhecimentos científicos e equipamentos tecnológicos que já foram desenvolvidos até hoje, talvez mais.

A fé, a coerção e a emoção de nada serviriam para que pudéssemos chegar a um planeta tão distante e ainda sobreviver às condições que lá se apresentam.

Apenas com a utilização da razão, aplicada ao problema da sobrevivência, o homem poderia desfrutar de liberdade num local tão adverso.

A liberdade dos homens marcianos começa com a liberdade desfrutada por eles aqui na Terra.

Mas como pensar em Marte se vivemos uma crise mundial que não parece se resolver?

Dizem que a crise mundial que vivemos é fruto da falência do capitalismo, do excesso de liberdade experimentado pelo mercado, pelas finanças, pelas pessoas e pelas ideias.

Mas como se pode chegar a tais conclusões, se podemos claramente verificar que não gozamos assim de tanta liberdade?

Os governos controlam a moeda, o câmbio, o comércio exterior, a taxa de juros, o fluxo de pessoas, de mercadorias, de capitais e muitas outras iniciativas privadas, além dos impostos e da guerra.

Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, onde a crise prossegue sendo grave, a liberdade e o direito de propriedade vêm sofrendo constantes e crescentes violações por parte dos governos.

Interessante notar que países que têm maior grau de liberdade passaram sem problemas pela crise mencionada

Não se situa em outro planeta, mas aqui, a incontável gama de agências governamentais, as centenas de milhares de normas geradas para regular e tolher a liberdade das pessoas, seja para investirem, criarem, empreenderem, cooperarem, ou seja para consumirem como quiserem.

Interessante notar que países que têm maior grau de liberdade passaram sem problemas pela crise mencionada. Hong Kong, China, Cingapura, Estônia, Suíça, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Austrália, Israel, Nova Zelândia, entre outros, vão muito bem.

Países que se ajustaram e liberaram suas economias durante e após a crise mundial rapidamente se recuperaram, como é o caso da Irlanda, da Islândia, de Portugal e outros mais.

É claro que países sem liberdade alguma também não foram atingidos pela crise, Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, Bolívia, Argentina, para citar alguns, seguem seu inexorável curso rumo à miséria.

Não, a crise mundial não foi decorrência do excesso de liberdade; as violações à liberdade individual e ao direito de propriedade é que causaram a crise mundial.

Sem liberdade para que os indivíduos possam explorar todo seu potencial, a escassez virá, e deixaremos de ser capazes de viver em Marte, ou de buscar a felicidade aqui mesmo na Terra.

Sem liberdade, chegará o dia em que o nosso planeta azul parecerá com um certo planeta vermelho, árido, inviável e mortal.

Fonte: Zero Hora, 15/01/2013

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