Coréia do Norte continua a ameaçar o equilíbrio político no sudeste da Ásia. As últimas notícias são de que o Japão, em conjunto com os EUA, e a Coréia do Sul, por iniciativa própria, pretendem investir em programas anti-mísseis. A situação nos remete ao final da Guerra Fria quando o programa “Guerra nas Estrelas” foi lançado, provocando pânico na capital do império soviético. Muitos dizem que a derrocada do Muro de Berlim teria sido causada pela incapacidade da ex-URSS em trocar consumo por investimentos (militares) naquele ponto de sua história. Pode ser razoável para Kim Jong Il investir mais hoje em armamentos do que em consumo? A lógica econômica de Kim se baseia no aspecto temporal dos custos e benefícios. Como ele espera ganhos futuros elevados, opta por investir pesadamente em armamentos hoje: o custo elevado atual mais que será compensado pelo benefício futuro. Decisão similar a de Hitler e Tojo no pré-guerra. Kim, como seu pai, não é – oficialmente – um amante das trocas livres entre indivíduos mas também percebe que seu poder não se sustenta, no longo prazo, sobre uma crise social de grandes proporções. Sua estratégia não é “armar para conquistar”, mas sim para conseguir transferências de recursos de outros para seu país. Algo que poderíamos chamar de “chantagem social”: dê-me comida ou lanço meus mísseis em você”. Nesta lógica, Kim é obrigado a continuar suas críticas – inconsistentes ou não – às economias de mercado, pois seu poder interno é mantido sobre uma tênue linha que consiste em conseguir recursos econômicos através de sua chantagem atômica concomitantemente à sua busca de legitimidade doméstica com base no discurso da “invasão externa iminente de um dos últimos bastiões do socialismo”. Note que evitei usar o argumento comum dos livros didáticos de Economia na análise das decisões de Kim. Normalmente estes livros falam de sociedades “que decidem o que, como e para quem produzir”. Se pensarmos bem, percebemos que isto pode ser feito com ou sem a ajuda da lógica econômica. A pergunta crucial para um estudo sobre o caráter econômico das decisões de políticas públicas consiste em saber que estruturas de direitos de propriedade são adotadas por esta ou aquela “sociedade” (na verdade, uma mistura de governo, sociedade e tradições, claro) em suas decisões de políticas e, mais importante ainda, que resultados foram obtidos. Mas isto é um tema para outra discussão…

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