Em respeito ao pedido de resposta do autor, o Instituto Millenium publica aqui o artigo-réplica de Marcelo Neri, economista da Fundação Getulio Vargas, citado no artigo “A miséria brasileira” do professor Claudio Considera, publicado no dia 06 de outubro. Este artigo é uma réplica às criticas de Cláudio Considera de 6/10 e 27/9 a última pesquisa sobre miséria do Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV de minha responsabilidade. O debate de idéias e de evidencias é muito bem vindo, agora julgamentos e teorias conspiratórias quanto às intenções das pessoas e das instituições: NÃO! O compromisso da FGV é o da busca do desenvolvimento do país através do debate livre de idéias. A instituição resistiu em pleno regime militar à tentativa de interferências nos seus índices de preços. As séries do IGP são exemplos vivos da capacidade da FGV resistir. A FGV sempre se caracterizou pela diversidade de opiniões de seus quadros, na época de Getulio o maior adversário de suas idéias se situava na FGV, o Dr Eugenio Gudin. É nesta tradição de independência intelectual que eu e meus colegas aqui na FGV trabalhamos. Assim como o lema dos acadêmicos de instituições sérias é “publish or perish” como a da EPGE na FGV, o único departamento de economia no Brasil, atingir o grau máximo da avaliação da Capes, no caso da pesquisa aplicada a temas de interesse nacional o nosso lema é: independência ou morte. Considera parece muito incomodado com a queda da miséria dos últimos anos e nos critica por demonstrá-la a partir de dados objetivos. A realidade, boa ou ruim, é para ser revelada. A equipe do CPS tem sido a primeira a apontar, isto é antes de qualquer outra instituição resultados dos mais diversos, doa a quem doer. O grupo que deu origem ao CPS foi o primeiro a mostrar em fevereiro de 1996, a melhora dos indicadores sociais depois do Plano Real. Em 1999, o grupo mostrou a pobreza aumentando face às crises externas. Em 2004, O CPS mostrou não só a deterioração social ocorrida no primeiro ano da gestão Lula (2003), como a queda da miséria ocorrida em 2002 ao apagar das luzes do Governo do Fernando Henrique. Nenhuma outra instituição teve a ousadia de informar isto. Em 2005, o CPS foi novamente o mais rápido no gatilho, demonstramos a histórica queda da desigualdade social de 2004. Outras instituições de pesquisa confirmaram depois as tendências mais diversas apontadas acima, estes episódios estão documentados no sítio www.fgv.br/cps. O sítio oferece uma ferramenta interativa que permite a cada um acessar dados de renda dos últimos quinze anos de seu estado ou grupo social. Ou seja, cada um pode fazer a conta da maneira que preferir. Considera fala de omissões de análises por período de governo que na verdade fazem parte do texto da pesquisa. O ponto substantivo central de Considera é apontar o nosso “ERRO metodológico”, ao usarmos a variação percentual de indicadores de pobreza. É interessante notar no nosso site, artigo dele demonstrando a redução da miséria do Real usando a mesma metodologia que hoje ele critica. Se Considera fosse especialista, ou pelo menos interessado, em questões sociais saberia que as metas do milênio da ONU falam em reduzir a miséria a metade até 2015, . Ou seja, está de novo em linha com a metodologia que hoje ele critica. Sugiro ao Considera considerar escrever ao Kofi Annan, secretário-geral da Onu, relatando a sua “grande crítica (ou ARREPENDIMENTO) metodológico”. Considera parece tão obcecado em mostrar que o Período FHC é superior ao de Lula em redução de miséria que cita uma linha oficial de pobreza inexistente e compara período de 3 anos do último com um de 9 anos de Fernando Henrique, incluindo 1993 no período FHC que a rigor, foi gestão Itamar Franco. Se a questão é mostrar uma foto de um tucano em pleno vôo, temos várias em nossa coleção de pesquisas assim, como de estrelas que sobem, e outras que caem. As melhoras sociais são obras conjuntas de vários atores sociais públicos e privados em vários instantes do tempo. Por exemplo, outra pesquisa do CPS demonstrou que no período 2002 a 2006, a Grande Belo Horizonte teve redução de pobreza trabalhista duas vezes maior que qualquer das nossas principais metrópoles (Aécio com Pimentel). É um tanto infantil se buscar quem é o pai dos pobres, se a redução recente da miséria é filha de Lula, o avô desta bela menina chama-se Fernando Henrique Cardoso. Por Marcelo Neri – Economista do Centro de Políticas Sociais do IBRE e da EPGE da Fundação Getulio Vargas

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