A privatização envergonhada do Galeão e de Confins

O governo deve anunciar na próxima semana o novo modelo de funcionamento dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte.

É provável que eles saiam do guarda-chuva da Infraero e passem a ser administrados pela Infrapar, a nova estatal que o governo está criando, em parceria com a iniciativa privada.

É o que se pode chamar de uma privatização envergonhada. Mas antes isso do que nada. Desde que Guarulhos, Viracopos e Brasília foram leiloados, em fevereiro passado, os passageiros vinham esperando uma solução para os aeroportos que ficaram fora da primeira lista.

Nos sete meses que se passaram desde então, muitas providências já poderiam ter sido tomadas para resolver esse que é um dos mais sérios, enervantes e persistentes problemas de infraestrutura do país. Mas o governo preferiu esperar um pouquinho mais.

Afinal, quem mais sofre com a falta de espaço, o desconforto, os banheiros malcuidados e as filas em frente aos terminais de Raio X operado pelos grevistas da Polícia Federal é o passageiro – e, conforme dizia uma antiga ministra do Turismo, a única saída que ele tem diante do estado lastimável de nossos terminais é relaxar e gozar.

Qualquer modelo de gestão aeroportuária que se implante no país será melhor do que o da Infraero

Privatização é uma coisa. Jogar a responsabilidade pelos terminais no colo de uma nova estatal é outra. Embora as chances de sucesso desse segundo modelo sejam discutíveis pela própria natureza da operação, pode ser que dê certo.

Afinal, qualquer modelo de gestão aeroportuária que se implante no país será melhor do que o da Infraero. Enfrentar com seriedade o problema dos aeroportos teria um efeito triplamente positivo sobre a economia e as contas do governo.

Em primeiro lugar, aeroportos funcionais, capazes de cumprir com eficiência o papel de levar passageiros e cargas de uma cidade para outra, exerceriam, por si só, um papel importante de estímulo aos negócios de um modo geral e ao turismo em particular.

Em segundo, os investimentos realizados pelos concessionários privados significariam a injeção de recursos vultosos no mercado – e, neste momento em que o PIB parece andar de lado, esse não é investimento que se despreze.

Finalmente, o dinheiro que os novos concessionários entregariam ao governo a título de outorga e os impostos que passam a ser recolhidos com a exploração mais eficiente dos serviços poderiam significar um aumento de recursos nos cofres públicos, sem a necessidade de elevar impostos.

Ou seja: a privatização, além de ser um antídoto poderoso para o veneno da ineficiência estatal, seria um estimulante eficaz para uma economia que precisa de uma injeção de ânimo.

Esse é o ponto. Independentemente de quem administre os terminais, o governo tem a obrigação de cobrar agilidade nas obras e exigir que se faça algo para que o Brasil deixe de passar vergonha com seus aeroportos em petição de miséria.

Fonte: Brasil Econômico, 04/09/2012

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