A reforma do Estado e o fim da crise do RS

É positivo o avanço na direção da reforma do Estado em contraponto ao imobilismo diante dos corporativismos. No entanto, o pacote de austeridade, mesmo que aprovado na íntegra, está longe de significar uma saída definitiva do estado do Rio Grande do Sul da sua situação de crise. Nem deve criar expectativas nesse sentido.

O quadro de crise permanente atinge, além da segurança pública, outras áreas, como a educação e construção do futuro, e a força e competitividade econômica. É preciso recuperar posicionamento nessas áreas, é preciso que um estancamento do sangramento das finanças públicas tenha sequência com uma evolução institucional, com instituições mais enxutas, colaborativas e de resposta mais ágil: que se entenda — o RS é um lugar para se prosperar, investir, e não para se lamentar e se perder em burocracia e ciclos que não se cumprem. Em uma imagem detonada de “Estado falido” e “faroeste”. Em um modelo de Estado provedor que não é funcional. Um provedor desigual, e cruel. Que privilegia a poucos, e de forma covarde.

Um corte nas despesas do Estado, assim como a eliminação de algumas organizações, é um estancamento necessário, mas não elimina a necessidade de se evoluir em soluções para questões estratégicas. É preciso evitar o sucateamento institucional, sua morte por inanição: inovações no sistema educacional, pois hoje colhemos uma geração com menor produtividade relativa do que a anterior; uma política pró-empresarial realmente agressiva e consistente; instituições de segurança pública modernizadas, inclusive na prevenção do risco social.

Se um Estado periférico como o RS não se tornar gradativamente competitivo e atrativo para negócios, se não se contiver o “bright flight” (mudança dos mais brilhantes cérebros para outros centros), apenas se enxugará o gelo até a próxima crise aguda — e sempre em condições mais difíceis. O fim da crise dependerá de um ciclo de reformas permanentes, de adoção de inovações, e que pode durar cerca de 10 anos. E de uma mudança de mentalidade. Dentro e fora dos governos.

Fonte: “Zero hora”, 28 de novembro de 2016.

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