Estamos à sombra do desastre e da insanidade, enquanto não for esquecida a ideia racista de separar os indivíduos pela cor, declará-los de raças distintas e proporcionar-lhes direitos desiguais. O caso de Tatiana Oliveira, no Rio Grande do Sul, é exemplo da ação criminosa e racista travestida de justiça.

Ela se inscreveu no vestibular usando de um direito franqueado pela Universidade Federal de Santa Maria, o de se declarar parda para obter mais facilidades. Isso por si já seria um escândalo, mas o que ocorreu foi mais monstruoso.

Tatiana passou, usando o caminho das cotas, mas agora é acusada de não ter direito, mesmo sendo filha de pai pardo e mãe branca. Sabem por quê? Pasmem! Uma comissão descobriu que ela nunca foi discriminada, jamais foi ofendida por ser parda e que, por isso, não deveria merecer a cota.

Uma comissão entrevistou a moça, julgou que ela não pertencia à raça certa e a condenou a sair da universidade. É isso. Uma comissão diz a qual raça um indivíduo pertence. Isso me lembra os horrores do holocausto. Comissões reconheciam os judeus e os separava. Uns iam direto para a morte; outros, para o trabalho escravo.

Parece exagerada a comparação? Então pense em outra cena. Dois rapazes num banco em frente a uma comissão. Eles tiraram as mesmas notas. A comissão aponta para um e sentencia: você está dentro, pois é negro. O outro está fora. Sua raça discriminou as outras e agora é a hora da revanche.

Essa cena não é real? É, mas o diálogo é o que no teatro chamamos de subtexto, as intenções que movem o personagem. Na real, o texto vem travestido de justiça reparadora. O abismo se aproxima!

(O DIA – 16/04/2009)

Deixe um comentário