É com grande prazer que eu me incluo neste think thank do liberalismo tupiniquim, o Instituto Millenium.

Realmente, nesta “fase mediana” que o País vem atravessando, na gestão petista, o Instituto Millenium acaba se tornando uma “trincheira”, onde seus colaboradores podem destilar, de forma livre, arejada e lúcida, o exercício da reflexão sobre os últimos fatos do mundo econômico, político e institucional brasileiro.

Sim, porque, meio que quixotescamente, acredito não haver mais espaço para o nacionalismo exacerbado, nem o arcaísmo teórico, sem uma visão lúcida e pragmática do presente e o futuro, que assola algumas correntes acadêmicas da nossa lúgubre Ciência Econômica. Tudo bem, que todos nós, de alguma forma, acabamos órfãos de algum economista defunto, mas é atordoante a falta de visão de alguns “segmentos” da nossa categoria profissional.

Acredito que a vaidade intelectual e pessoal (ou as benesses do poder), muitas vezes, acabam por cegar a visão crítica de muitos dos nossos amigos que hoje estão no poder. No entanto, como negar o óbvio?

Como ir contra a corrente da economia global, num todo se direcionando para uma só direção, qual seja: a boa gestão fiscal, um Banco Central sem ingerências academicistas e políticas, um sistema de metas de inflação, importante como farol de expectativas dos agentes, um regime de câmbio flutuante, dentre tantas as outras conquistas destes últimos anos?

E o que falar da agenda de reformas, neste governo totalmente inerte? Quantos anos teremos que esperar para se ter um regime tributário menos pesado e oneroso? Um regime previdenciário sustentável e voltado para o longo prazo? Uma legislação trabalhista que torne possível um mercado de trabalho mais flexível e menos paternalista? Enfim são tantas as demandas?

Por que não ter senso crítico o suficiente para estar atento às incongruências de alguns paradigmas, hoje muito em voga? Por que a cegueira ideológica em acreditar que o “Deus Estado” é capaz de superar todos os males do nosso patrimonialista capitalismo?

Por que será que a forma de pensar o país, de forma honesta e sem interesses alheios, está tão em desuso?

São tantas as indagações que colocamos na mesa… espero que a nossa tenra democracia consiga encontrar todas estas respostas, através do voto consciente nas próximas eleições de 2010. Não sabemos se o País sério e trabalhador agüenta mais um tranco de quatro anos de desgoverno, burocracia galopante e assistencialismo…

Sobre o Instituto Millenium, no entanto, tenho plena certeza de uma longa existência. Vida longa aos que pensam o País de forma lúcida e realista…

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