O intrigante artigo de Ana Além e Antônio Souza (Irlanda: além do ajuste fiscal, Valor Econômico do dia 12 de fevereiro de 2007) questiona a “recorrente citação da aceleração do crescimento econômico irlandês entre 1991 e 2001 como exemplo de expansão promovida principalmente por um forte ajuste fiscal”. Segundo Além e Souza, a relação de causalidade foi inversa: o forte crescimento da economia irlandesa foi quem viabilizou o equacionamento fiscal. Tentaremos mostrar que os autores parecem ignorar o contexto histórico e a precedência do ajuste à aceleração do crescimento do produto. Tentam dar uma aula da “verdadeira” macroeconomia aos que acreditam que foi a diminuição do peso do governo na economia que causou o crescimento irlandês.

Defender a idéia de que o crescimento gerou as reformas que reduziram o tamanho do Estado pressupõe dois fatores: primeiramente, que o crescimento tenha sido tornado possível por políticas outras que não o corte de gastos e, em segundo lugar, que assim que houve a oportunidade de se reduzir gastos, viabilizado pelo crescimento da economia, o governo irlandês, após longo período de gastança desenfreada decidiu, pelo bem de todos e felicidade geral da nação, reduzir gastos. Argumentaremos a seguir que os dois fatores implícitos na difusa lógica em que Além e Souza se baseiam são, no mínimo, improváveis, e que a perspectiva de menor intervenção governamental foi a chave da prosperidade irlandesa.

O intrigante artigo de Ana Além e Antônio Souza (Irlanda: além do ajuste fiscal, Valor Econômico do dia 12 de fevereiro de 2007) questiona a “recorrente citação da aceleração do crescimento econômico irlandês entre 1991 e 2001 como exemplo de expansão promovida principalmente por um forte ajuste fiscal”. Segundo Além e Souza, a relação de causalidade foi inversa: o forte crescimento da economia irlandesa foi quem viabilizou o equacionamento fiscal. Tentaremos mostrar que os autores parecem ignorar o contexto histórico e a precedência do ajuste à aceleração do crescimento do produto. Tentam dar uma aula da “verdadeira” macroeconomia aos que acreditam que foi a diminuição do peso do governo na economia que causou o crescimento irlandês.

Defender a idéia de que o crescimento gerou as reformas que reduziram o tamanho do Estado pressupõe dois fatores: primeiramente, que o crescimento tenha sido tornado possível por políticas outras que não o corte de gastos e, em segundo lugar, que assim que houve a oportunidade de se reduzir gastos, viabilizado pelo crescimento da economia, o governo irlandês, após longo período de gastança desenfreada decidiu, pelo bem de todos e felicidade geral da nação, reduzir gastos. Argumentaremos a seguir que os dois fatores implícitos na difusa lógica em que Além e Souza se baseiam são, no mínimo, improváveis, e que a perspectiva de menor intervenção governamental foi a chave da prosperidade irlandesa.

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