A vez das construtoras

O interesse de construtoras brasileiras, como Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, por investimentos no setor elétrico, se intensificou nos últimos anos.

Com o apoio do governo Federal, a expansão da atuação das empreiteiras não se limita ao cenário nacional, pois estão estabelecendo parcerias com a Eletrobras em seus novos projetos de internacionalização. Além disso, as construtoras não intencionam apenas construir os empreendimentos, mas operá-los.

O Departamento de Energia do BNDES estima que, entre 2010 e 2013, os investimentos no setor elétrico deverão totalizar R$ 100 bilhões, sendo 60% financiados pelo banco estatal. Atraídas por estes investimentos, as grandes construtoras buscam expandir suas atividades no setor.

Há quatro anos o setor de energia elétrica não fazia parte das receitas da Andrade Gutierrez e Odebrecht. Em 2006, a Andrade Gutierrez iniciou sua atuação no setor elétrico por meio da aquisição de 13% do capital votante da distribuidora Light. No ano seguinte, Andrade Gutierrez e Odebrecht venceram a concessão da usina hidrelétrica de Santo Antônio no rio Madeira, entrando no segmento de geração.

No início de 2010, a Andrade Gutierrez anunciou a compra de 14% do capital total da Cemig e a venda de sua participação na Light para a estatal mineira.

Por enquanto, a participação da Norberto Odebrecht no setor elétrico se resume ao empreendimento de Santo Antônio, mas o grupo, assim como a Camargo Corrêa, manifestou interesse na compra da participação de 53% do BNDES na holding AES Brasiliana, que controla as distribuidoras AES Sul, AES Eletropaulo, AES Tietê e AES Uruguaiana.

Como parte da estratégia de expansão no setor, a Odebrecht constituiu em março de 2010 a Odebrecht Energia.

A Camargo Corrêa, através de sua subsidiária Camargo Corrêa Geração de Energia, já operava no setor elétrico desde 1997, quando adquiriu em sociedade com o Bradesco e a Votorantim, 28,6% do capital total da CPFL, no segmento de distribuição.

Inicialmente cada sócio possuía 9,5% na sociedade, mas após a saída do Bradesco em 2006, Votorantim e Camargo Corrêa passaram a ter participações iguais de 14,3%.

No início de 2010, a Camargo comprou a participação da Votorantim adquirindo a totalidade da sociedade. Com a compra, tornou-se a maior sócia no bloco de controle da CPFL Energia. As construtoras também estão atentas às possíveis novas usinas termonucleares previstas no Plano Nacional de Energia 2030.

Duas construtoras possuem conhecimentos já adquiridos com usinas que utilizam tecnologia nuclear. A Norberto Odebrecht construiu a usina de Angra II e a Andrade Gutierrez é responsável por Angra III, obra iniciada em 1984 e interrompida em 1986.

Para as estatais é interessante dividir os investimentos em grandes projetos do setor elétrico com as empreiteiras, pois estas ficam responsáveis pelo risco da obra. Além disso, as construtoras possuem elevados recursos financeiros que podem ser direcionados para financiamento dos empreendimentos.

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