Nem só de vampiros e fantasias juvenis vivem as listas de best-sellers. Por incrível que pareça, em um país onde se lê pouco (bem menos do que na Argentina), um livro de História como “1808”, de Laurentino Gomes, já vendeu 600 mil exemplares. O recémlançado “1822” é ainda melhor e pode até ir além. É muita gente lendo livros muito bons.

Antes, “Viagem do descobrimento” e “Náufragos, traficantes e degredados”, de Eduardo Bueno, lideraram a lista de mais vendidos meses a fio conquistando legiões de leitores para as aventuras, romances e emoções da nossa História.

Nada mais animador do que ver o “Guia politicamente incorreto da História do Brasil”, de Leandro Narloch, que desmoraliza algumas das maiores fraudes e mitos da nossa história oficial, ultrapassar os 100 mil vendidos, que só raras estrelas da música pop atingem. Merece um Livro de Ouro.

Grandes livros como “Mauá, empresário do Império”, de Jorge Caldeira, “O príncipe maldito”, de Mary Del Priore, e “Terra Papagalli”, de José Roberto Torero e Marcus Aure-lius Pimenta, fizeram sucesso com boas histórias, muito bem contadas, de épocas, eventos e personagens fascinantes da nossa História.

Simples assim.

O melhor é que essas espantosas quantidades se devem às reconhecidas qualidades dos livros, que popularizam a nossa História sem vulgarizála ou ideologizá-la, nos ajudando a tentar entender por que somos assim, para o bem e para o mal. E para aprender a não repetir, como farsa, velhos erros, vícios e ilusões e suas desastrosas consequências, como o cartorialismo, o nepotismo, o paroquialismo, o fisiologismo, o coronelismo, o patrimonialismo, o autoritarismo, o sebastianismo e outros ismos históricos de funesta memória.

Julio Cortázar dizia que a ficção é a história secreta das sociedades, mas a verdade é que poucas ficções podem superar essas reportagens da nossa História real, com sua carga de dramas e tragédias, de comédias e patifarias, de fraudes e heroísmos, de surpresas e reviravoltas, e de personagens — como o Dom Pedro I de Laurentino Gomes — que fariam a justa fama e fortuna de qualquer romancista.

Fonte: Jornal “O Globo” – 17/09/10

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