Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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Agenda Brasil

Até a década de 1990, as discussões sobre o Brasil eram sempre voltadas ao curto prazo –a crise do momento, as medidas para sair dela, como evitar a próxima.

A partir de 2003, consolidada a estabilização, as discussões começaram a focar no longo prazo – em medidas para sustentar o crescimento e elevar a renda nacional.

Com o retrocesso dos últimos anos, as discussões e as ações voltaram-se novamente ao curto prazo. E um dos maiores custos da crise é justamente a adoção de medidas para combatê-la que são prejudiciais ao crescimento de longo prazo, como o aumento da tributação e empréstimos direcionados dos bancos públicos, que desequilibram a economia. Por isso, é fundamental discutir desde já medidas para que o Brasil não só saia da crise, como volte a crescer por períodos prolongados.

Precisamos superar as medidas de curto prazo e evoluir para propostas factíveis que elevem a produtividade, reduzam e racionalizem a carga tributária, cortem despesas públicas e melhorem a educação e a logística

Em primeiro lugar, precisamos identificar o que não é problema. Não é escala. Temos um enorme mercado de consumo, com escala suficiente para promover crescimento e investimento. O problema também não é estabilidade política, que, apesar da crise atual de liderança, é das maiores entre emergentes, com eleições livres, poderes independentes e imprensa livre.

O grande problema é a educação. A escolaridade média tem crescido, mas a qualidade está muito abaixo do padrão desejável. Numa agenda de crescimento, devemos focar na qualidade da educação em primeiro lugar. Ela é essencial para melhorar a competitividade e elevar a renda.

Depois disso, as prioridades de longo prazo são as questões de custo e produtividade. Temos uma carga fiscal das mais pesadas, um dos mais altos custos de energia, baixa eficiência logística e uma burocracia imensa que dificulta a atividade empresarial.

Nesse contexto, é imperioso termos agenda propositiva de crescimento. Precisamos superar as medidas de curto prazo e evoluir para propostas factíveis que elevem a produtividade, reduzam e racionalizem a carga tributária, cortem despesas públicas e melhorem a educação e a logística.

Com o Estado amarrado pela crítica situação fiscal, os investimentos devem ser buscados por meio da competição e do mercado. Na infraestrutura, via concessões, em escala muito superior ao planejado; na educação, com valorização da qualidade do ensino privado. Na esfera regulatória, é preciso modernizar a legislação trabalhista e incentivar as empresas a darem mais treinamento e qualificação aos funcionários.

A experiência de décadas e crises passadas mostra que é necessário olhar além dos graves desafios do momento e priorizar uma agenda básica e realizável para tirarmos a cabeça da água e vislumbrarmos a retomada do crescimento sustentável.

Fonte: Folha de S. Paulo, 23/8/2015

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