Época – Edição 469 – 14/5/07

O Brasil segue melhorando sua avaliação, de acordo com as agências especializadas em classificação de riscos para investimentos financeiros. Os bons fundamentos das contas externas, a acumulação de reservas internacionais e a bem-sucedida política de combate à inflação aumentaram nossa capacidade de pagamento e reduziram a probabilidade de um eventual controle de capitais.

A Fitch colocou o Brasil a apenas um passo do grau de investimento, posição na América Latina alcançada somente pelo Chile e pelo México. Espera-se para breve que as outras principais agências, a Standard & Poor’s e a Moody’s, também elevem nossa classificação, afastando-nos do grupo de países considerados de grau especulativo.

O efeito imediato dessa favorável reclassificação é tornar mais baixo o custo de empréstimos no exterior pela abertura da possibilidade de colocação em portfólios globais dos mais importantes fundos de pensão e investidores institucionais do planeta. A queda da percepção de nosso risco financeiro torna mais abundante a oferta de dólares pela atração de investimentos diretos para o Brasil, importantes para a transferência de inovações tecnológicas, para a aceleração do crescimento e para a geração de empregos.

Por outro lado, pela avaliação do Relatório de Competitividade Mundial de 2007, do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Gerencial (IMD), o Brasil continua perdendo capacidade de competição na economia global, recuando cinco posições no ranking de países. Desabou do 44.o para o 49.o lugar, acelerando a queda anterior, de duas posições, registrada em 2006.

Nos últimos dois anos, perdemos terreno nos principais critérios de desempenho: eficiência dos negócios (de 28.o para 40.o lugar), desempenho econômico (de 31.o para 47.o), infra-estrutura (de 44.o para 49.o) e eficiência do governo (de 48.o para 54.o). Este, por sinal, item de nossa pior classificação, particularmente como efeito da corrupção, da violência e da burocracia generalizadas.

A elevada carga tributária, a legislação complexa e inadequada, a excessiva burocracia, a infra-estrutura precária e o enorme custo do capital respondem por nossa queda, única entre os Brics nesse campeonato de desempenho econômico. A Rússia, a Índia e a China aproveitaram melhor que o Brasil a extraordinária fase de crescimento mundial dos últimos cinco anos. Os relatórios do IMD são apresentados como ferramentas para analisar “a capacidade de um país em prover um ambiente no qual as empresas possam competir eficientemente e crescer”.

Curiosamente, o melhor desempenho financeiro na avaliação das agências de classificação de riscos coloca novos desafios à busca de melhor desempenho econômico. Ao formidável sucesso comercial brasileiro, acrescentam-se agora maiores ingressos de capitais, pressionando ainda mais para baixo a taxa de câmbio e deixando expostas nossas deficiências de infra-estrutura educacional, de transporte, portos e logística.

Estão igualmente expostas as vísceras de uma legislação trabalhista obsoleta e de um regime previdenciário inadequado, que produzem excessivos encargos sobre a mão-de-obra e derrubam a competitividade de nossa indústria – que já se encontra ameaçada pela lâmina dos juros altos e do câmbio baixo. Faremos as necessárias reformas com as centrais sindicais no comando dos ministérios da Previdência Social e do Trabalho? Teremos algum presidente, algum dia, que não seja um social-democrata? Ou seguiremos perdendo posições nos rankings de competitividade global?

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