Paulo Guedes

Em meio à grande crise contemporânea, há também os momentos de alívio e mesmo de renovada esperança em um futuro melhor. São janelas de oportunidade neste conturbado macroambiente econômico. O momento de alívio vem do resultado das eleições gregas deste domingo. E o olhar de esperança vem do surgimento de um novo bloco regional de enorme importância para a América Latina.

O mundo estava de olho nas urnas gregas. A derrota dos radicais de esquerda dá novo fôlego à moeda continental. Prossegue o quiproquó do auxílio financeiro europeu pela reforma das finanças públicas gregas. Os eleitores perceberam que a opção entre “austeridade” (euro) e “crescimento” (dracma) é um falso dilema. Mas é triste saber que a juventude europeia continua entregue às mãos dessa mesma classe política cujas demagogia e irresponsabilidade financeira tanto a infelicitaram com o desemprego em massa. Conservadores na Grécia e socialistas na França, demagogos e obsoletos, continuam no comando. Apenas se atenuam os temores de contágio e precipitação de uma crise bancária continental que pudesse desembocar na decomposição da zona do euro.

A derrota dos radicais de esquerda dá novo fôlego à moeda continental

Sem o mesmo destaque dos eventos no Velho Mundo, surge a Aliança do Pacífico, um novo bloco regional anunciado por México, Colômbia, Peru e Chile, com a adesão prevista de Panamá e Costa Rica ainda no segundo semestre de 2012. O Acordo de Antofagasta, com 215 milhões de consumidores, 35% do produto interno bruto e 55% das exportações da América Latina, prescreve a livre circulação de mão de obra, de capitais, de bens e serviços, além da integração de redes educacionais, um sinal da extraordinária importância atribuída à formação de capital humano para o futuro da região.

As regras de acesso ao novo bloco revelam aspirações de construir uma rede típica da Grande Sociedade Aberta: é preciso ser uma democracia, com estabilidade jurídica e constitucional, e aderir ao livre comércio com todos os sócios. Democracia e mercados, a síntese da moderna civilização ocidental, como exigências para integrar um bloco latino-americano! Enquanto isso, atolam os integrantes do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai -, em meio a disputas tarifárias e escaramuças comerciais, e afundam os países do socialismo bolivariano – Venezuela, Equador e Bolívia -, por suas sempre bem-intencionadas, porém desastrosas, práticas populistas.

Fonte: O Globo, 18/06/2012

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