A presidente Dilma parece estar com dificuldades para fazer a reforma ministerial que deveria marcar o recomeço de seu governo sem magoar sua base política, tão díspar e heterogênea que não cabe em um Ministério de tamanho normal. Esse Ministério tamanho GG – 39 ministros ou secretários com status de ministros – abarca não um programa partidário, mas os interesses dos vários partidos que tomaram a barca do governo, alguns deles quando a viagem já estava em andamento, como o PSD, que ainda não tem um lugar ao sol sob a proteção do governo Dilma, mas terá mais cedo ou mais tarde.

Como organizar esse xadrez político para fazer uma reforma que não desagrade a petistas e aliados? Como viabilizar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura paulistana sem fazer um agrado à senadora Marta Suplicy?
Mas onde colocá-la, se o Ministério da Educação já foi prometido a Aloizio Mercadante, um adversário interno de Marta no PT paulista, pois os dois disputam a liderança petista regional?
A presidente Dilma já teve ambições maiores na reforma, reduzir o número dos ministérios a uma cifra razoável – algo em torno de 20 ministérios -, mas isso é passado.
Juntar Pesca com Agricultura e Portos com Transportes pode ser o máximo que conseguirá, mas mesmo assim há dúvidas.

Portos é uma área do PSB de Ciro Gomes, que teria que receber uma compensação. Mas como satisfazer Ciro sem melindrar o governador Eduardo Campos, presidente do PSB e adversário interno dos Gomes?

Já se teme que a presidente faça apenas mudanças pontuais, uma minirreforma, nada que permita dizer que agora, sim, começou o seu governo.

O que pode ser a indicação de que seu governo continuará sendo igual a este do primeiro ano, amorfo e sem grandes voos.

Especialmente num ano em que a crise econômica promete paralisar eventuais tentativas de ir além do mediano.

A sétima edição do estudo sobre riscos globais de 2012 produzido pelo Fórum Econômico Mundial, que começa no final de janeiro em Davos, na Suíça, analisa o impacto potencial de 50 riscos na próxima década, desde o crônico desequilíbrio fiscal à severa disparidade da renda, passando pela vulnerabilidade da segurança on-line.
O estudo, feito com base na entrevista de quase 500 especialistas e líderes empresariais, levanta a questão de que riscos fiscal, demográfico e social altamente interconectados podem reverter os ganhos da globalização.

Nacionalismo, populismo e protecionismo ameaçam o crescimento global, num momento em que o mundo continua vulnerável a choques financeiros e também a crises de comida e água.

As principais ameaças ao mundo foram divididas em três categorias:

As sementes da distopia – populações inchadas de jovens sem perspectivas, número crescente de imigrantes com países às voltas com grandes débitos, e uma diferença crescente entre ricos e pobres alimentam ressentimentos.

Salvaguardas inseguras – enquanto o mundo cresce em complexidade e fica cada vez mais interdependente, as políticas tradicionais, as normas e as instituições que servem como sistemas de proteção falham nessa manutenção.

O lado negativo da conectividade – Nosso dia a dia está praticamente todo dependente de sistemas conectados on-line, tornando-nos suscetíveis a indivíduos mal-intencionados, instituições e nações que têm a habilidade crescente de deslanchar ataques cibernéticos devastadores remota e anonimamente.

O publicitário Jorge Maranhão, dedicado à causa da cidadania e que no site “A Voz do Cidadão” coloca em debate nossos direitos e deveres, pôs em circulação pelo Rio de Janeiro, no último ano, o Cidadômetro, um utilitário que percorre os bairros do Rio, e também Niterói, para medir o grau de cidadania da população.

“A Voz do Cidadão” definiu três tipos de cidadãos: o “solidário”, que deseja participar, mas o faz mais por caridade, convicção moral ou espírito humanitário do que imbuído de uma plena consciência de seu papel na sociedade.

O “consciente”, que sabe o seu papel na sociedade e tem posição crítica em relação a governantes, gestores públicos e políticos, mas não passa disso e acha que tudo se resolve com o Estado.

E o “atuante”, que, com base na percepção crítica que o cerca, não só pensa como age em direção à cobrança de resultados e à fiscalização de diferentes esferas de poder público, sempre estimulando os outros a fazerem o mesmo. Este seria o Cidadão Exemplar.

O utilitário do Cidadômetro esteve nas seguintes localidades: Central do Brasil, Maracanãzinho, Ipanema, Tijuca, Cinelândia, Centro, Niterói e Madureira.

Jorge Maranhão destaca que, mesmo numa locação de cidadãos de menor escolaridade, os índices de cidadãos intitulados “solidários” permaneceram baixos, desde a campanha de Ipanema e Tijuca, com uma média de 27%.

Os intitulados cidadãos “conscientes” permaneceram na média de 40%, enquanto os cidadãos que se declararam “atuantes” mantiveram-se um pouco acima da média geral de 30%.

O fato de que os mesmos índices de identificação de cidadãos solidários, conscientes e atuantes foram mantidos, independentemente do local ou da escolaridade do cidadão, demonstra que é preciso uma campanha mais intensa para que os verdadeiros valores da cidadania sejam incorporados pela população.

Fonte: O Globo, 12/01/2012

RELACIONADOS

Deixe um comentário