Por que há momentos na vida nacional em que parece que é sempre o pior de nós que nos representa? Será que tem mesmo de ser assim? Uma desclassificada classe política a fazer todos os cidadãos eleitores de palhaços? E todos achando que não tem saída, como se o título primeiro dos princípios fundamentais da Constituição Federal fosse letra morta! Art. 1º, parágrafo único: todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.

Se os nossos representantes estão abaixo do nível mínimo de compostura tolerável em qualquer outro campo da expressão da cultura brasileira, o que nos impede de nos unir e partir para a ação política direta? Se estão a dar este trágico espetáculo de desfaçatez e cinismo, batendo boca em cadeia de mídia nacional, mutuamente se acusando das piores torpezas, é sinal que os homens de bem, os melhores de nós, estão omissos! O nobre senador por Pernambuco acusa a maioria dos representantes de seu próprio partido de corrupção e o nobre senador pelo Rio Grande, do mesmo partido, diz que é isso mesmo, todos os partidos são iguais, e fica o dito pelo não dito.

Como se do outro lado da mídia não houvesse a menor possibilidade de reação por parte de um cidadão cada vez mais indignado e inerte diante de tantas baixarias. Se o senador Jarbas acha mesmo que “sua entrevista é polêmica, não retira uma vírgula, mas também não pode comandar um processo de mudança”, fica a sensação inequívoca de leviandade. Como leviana também é a própria nota pública da comissão executiva de seu partido que declara que “não dará maior atenção à entrevista em razão das generalidades das alegações… reduzindo suas graves acusações a um simples desabafo que não merece maior relevo”. Como previu o senador Demóstenes Torres, apostam na miséria de nossa cultura política.

Parece que se esqueceram os nobres senadores de um passado não muito distante em que a cidadania se uniu e tomou a dianteira sobre o processo político com os movimentos das “Diretas Já” e do impeachment de Collor. Pois vinte anos se passaram e estamos ficando cheios de tantos anões, mensalões e castelões. É chegada a hora de as entidades da sociedade organizada se articularem e agirem diretamente em torno da prioridade maior que é a completa e inadiável reforma política, única forma de transformar a cultura de impunidade numa cultura de plena cidadania e mudar radicalmente os costumes políticos nacionais. Pois não precisamos mais ser representados por esse tipo de gente!

(O Globo – 16/03/2009)

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