Ao lado de “companheiros” e ditadores

Irã

Lula declarou – contra as evidências – que Mahmoud Ahmadinejad venceu licitamente as recentes eleições no Irã. As autoridades iranianas, pelo contrário, atestaram que milhões de votos foram fraudados.

Para o presidente brasileiro, entretanto, as manifestações de protesto contra a fraude eleitoral não passavam de raiva de perdedor, como em torcida de futebol. As 69 pessoas mortas pela terrível repressão do regime ditatorial iraniano nem sequer mereceram uma leve menção de Lula.

Coreia do Norte

O regime comunista da Coreia do Norte mantém campos de concentração e executa sumariamente adversários políticos. O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu recentemente a condenação do regime por esses motivos. Mas a diplomacia do governo Lula se recusou a condenar Pyongyang, pois acha necessário “dar uma chance” ao regime sanguinário.

Venezuela e FARC

A Venezuela entregou às FARC armas compradas à Suécia pelas Forças Armadas do país e destinadas por tratado a seu uso exclusivo. A Colômbia pediu explicações a Chávez por essa grave ocorrência; a Suécia igualmente.

Chávez foi mais uma vez desmascarado como mentor das FARC. Sem ter o que responder, o caudilho venezuelano encontrou em Marco Aurélio Garcia, o assessor presidencial de Lula, um porta-voz e um defensor nessa situação delicada. Garcia passou a manter contactos internacionais, inclusive com o General James Jones, assessor de segurança do presidente Obama, para justificar o injustificável. E Celso Amorim asseverou, em declarações à Folha de S. Paulo, que a transferência de armas “foi apenas um episódio”.

Honduras

Ao lado do ditador líbio Muhamar Kadhafi, patrono do terrorismo internacional, a quem chamou de “meu irmão”, Lula condenou o “golpe” em Honduras. Enquanto justifica a complacência com a ditadura cubana e o fim da exclusão do regime de Castro da OEA, a diplomacia lulo-petista exigiu a condenação inclemente do governo de Micheletti e a exclusão de Honduras do organismo.

Colômbia e EUA

Estados Unidos e Colômbia estreitam seus laços militares no combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC. Chávez percebendo que sua aliança político-militar com as FARC se vê ameaçada e, em conseqüência, sua estratégia de desestabilização do governo colombiano de Álvaro Uribe e da América Latina em geral corre perigo, desata uma gritaria contra o alargamento do acordo.

Celso Amorim afirma que a Venezuela tem razão em seus receios. Lula logo se torna o porta bandeira do protesto contra o acordo, bem como o articulador dos protestos da América Latina. Fazendo o jogo do “bolivarianismo”, Lula pretende levar Uribe ao banco dos réus na reunião da Unasul, em Quito, golpe que só é frustrado pela hábil maratona diplomática do presidente colombiano.

A atitude de Lula contrasta com o silêncio cúmplice ante as compras de armamento russo efetuadas por Chávez (que chegam a 4,4 bilhões de dólares!) e ante o oferecimento feito pelo presidente venezuelano das bases do país para acolher bombardeiros russos, inclusive com armamento atômico.

The Economist censura Lula

Seria impossível fazer neste exíguo espaço um elenco exaustivo das mais recentes medidas diplomáticas do governo Lula, que revelam sua crescente subserviência aos desígnios de Hugo Chávez e de seu “socialismo do século XXI”.

Tal seqüência de medidas mereceu neste final de semana um editorial da revista britânica The Economist (13.ago.2009), que apontou o viés chavista da política externa do governo Lula e cobrou uma posição firme do presidente do Brasil, com relação à defesa da democracia: “O governo Lula tem demonstrado um enigmático desrespeito pela democracia e pelos direitos humanos fora das fronteiras brasileiras”. E acrescentou: “O Brasil precisa decidir o que realmente defende e quem são seus aliados de fato, ou então arriscar que outros façam essa escolha por ele”.

O viés chavista da política externa

A matéria da importante revista britânica foi glosada pelo jornal O Estado de S. Paulo (15.ago.2009) em Notas & Informações, intitulada A ameaça que Lula incentiva:

* “Numa das inumeráveis vezes em que se pôs a falar mal da imprensa – que evita ler “porque tenho problema de azia” -, o presidente Lula contrastou o que seria o tratamento injusto a ele dispensado pelas principais publicações brasileiras com o tom amplamente favorável ao desempenho do seu governo nas matérias e comentários sobre o País em muitos dos mais importantes periódicos estrangeiros. (…)

O presidente, portanto, não terá motivos para acusar de parti pris contra ele o prestigioso semanário britânico The Economist por ter publicado, na edição que começou a circular ontem na Europa e nos Estados Unidos, uma reportagem e um editorial que identificam o inquietante viés chavista da sua política para a América do Sul. “Do lado de quem está o Brasil?”, pergunta a revista. Nem Lula correria o risco de acentuar o seu desconforto gástrico se se inteirasse do teor desses textos. Eles o elogiam como um “presidente inspirador”, cuja “bonomia e instinto para a conciliação” fazem amigos em toda parte, e por ter barrado a mudança constitucional que o autorizaria a disputar um terceiro mandato consecutivo, “apesar de seus quase sobrenaturais índices de popularidade”.

A Economist também aplaude os esforços do brasileiro para amoldar as instituições multilaterais às mudanças no equilíbrio global de poder (…) Mas – no que não chega a ser uma revelação para os observadores brasileiros – a revista ressalta a perigosa benevolência, quando não a franca simpatia, da diplomacia regional do País em relação a Hugo Chávez. O “gancho”, como se diz nas redações, para a abordagem do problema são as investidas do caudilho venezuelano contra o acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos para a instalação de três bases militares destinadas a reforçar as defesas do país vizinho no seu combate de décadas contra a guerrilha das Farc e os seus parceiros do narcotráfico.

Nessa crise fabricada por Chávez para encobrir as evidências de seu apoio bélico ao movimento, o Brasil só não agiu pior do que o equatoriano Rafael Correa, que já não mantém relações com Bogotá, ao exigir garantias de que as bases não teriam outros fins. O papel de linha auxiliar do caudilho, desempenhado pelo presidente e o seu chanceler Celso Amorim, ficou ainda mais gritante porque em momento algum eles manifestaram preocupação com a segurança e a estabilidade regionais ameaçadas pelos acordos militares entre Caracas e Moscou. O próprio Chávez diz servirem para “incrementar nossa capacidade operativa”. Lula se comporta como se o inimigo da democracia na América do Sul fossem os Estados Unidos, ou a Colômbia, ou mesmo o governo golpista de Honduras – que destituiu o presidente Manuel Zelaya para evitar que ele atrelasse o país ao chavismo.

Além disso, ao endossar tacitamente as políticas liberticidas do venezuelano – não passa dia sem que ele, cumprindo as suas promessas, não aperte o garrote no seu desafortunado país -, Lula desnuda a hipocrisia das suas apregoadas convicções democráticas. A versão soprada pelo Itamaraty de que os agrados brasileiros a Chávez teriam apenas o objetivo de moderar os seus planos hegemônicos na região já foi desacreditada pelos fatos, sem falar nas lições da história sobre a futilidade das tentativas de apaziguar apetites ditatoriais. A tragédia é que nenhum outro país sul-americano tem condições comparáveis às do Brasil para frear as aventuras totalitárias de Chávez e seus aliados bolivarianos. Não se pede, como diz a Economist, que o Brasil aja como xerife da América. Mas é do interesse nacional prevenir uma nova guerra fria entre os vizinhos.

“A maneira de fazê-lo é não confundir democratas com autocratas, como Lula parece pensar”, assinala a revista. “É desmoralizar Chávez, demarcando uma clara divisa em favor da democracia – o sistema que permitiu a um pobre torneiro mecânico chegar ao poder e mudar o Brasil.” “

(Publicado no Radar da Mídia)

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2 comments

  1. jose medrano

    todo lo que este distinguido periodista a escrito es muy cierto, y yo respetaba mucho al sr lula pero con lo que ha echo se me hacovo el respeto veo que ya perdio su personalidad para combertirse en titere de chavez hay que ver como la ambicion y el dinero cambian a las perzonas; algo ultimo lo siento por los hermanos brasilenos muy buenas personas tengo muchos amigos de esta nacion pero van hacia el comunismo TENGAN CUIDADO

  2. CELIO HOHN

    Os comentários acima do José Carlos Sépúlveda não passam de articulações do facismo. É lamentável que uma pessoa ocupa o precioso espaço da mídia para difindir teses mentirosas e golpistas. Com certeza se sabe que este tipo de pessoa serviu a ditaura militar no Brasil de 1964/1985, serviu e continua servindo aos interesses da CIA e do imperialismo americano ou qualquer outro que domina ou explora os povos. O Ira é o único país democrático no oriente médio ou entre os países árabes ou das proximidades. O restante são ditaduras sanguinárias comandadas por Reis e Príncipes, como é o caso da Arábia Saudita, Kuat, Emirados Arabes, Egito, Jordania e outros. Esses países não sabem sequer o que é uma eleição presidencial, pois os imperadores são donos de tudo.
    Ele também não quer saber do grande desenvolvimento humano e o primeiro vento de liberdade e democracia que sopra na América Latina. Tudo isso começou com Hugo Chaves na Venezuela. Antes a América Latina era governada por cães e peões dos EUA, através de ditaduras militares e governos entrguistas, que deixaram o povo na miséria. Agora que o povo começa a ter vez, consegue ter emprego, escola, melhores condições de vida e especialmente liberdades democráticas, esses golpistas não aceitam essa liberdade. Eles dizem que Hugo Chaves é ditador e manipulador, mas esquecem que ele foi eleito e reeleito pelo povo, e está nos braços do povo. Enquanto isso, nos governos anteriores somente se via repressão, sangue e guerras. A mídia sempre foi manipulada em toda a América Latina pelos ditadores que nós sucederam durante décadas. Hoje o povo começa a questionar essa mída, e sabe dos prejuízos que ela causou ao progresso e desenvolvimento da região. Liberdade de imprensa significa ouvir o povo, não estar a serviço da extrema direita e nem do imperialismo americanos como sempre foram o Clarin na Argentina, a rede Globo e suas filiais no Brasil, o El Tiempo na Colômbia, a Globovision na Venezuela e tantos outros lacáios da grande mídia, que sempre estiveram a serviço do imperialismo e não de suas nações.