Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
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Danielle Brants: “Apenas 1 em cada 200 jovens consegue entender um texto complexo”

O brasileiro não gosta de ler. Essa máxima, não intimidou Danielle Brants, que em 2014 resolveu desafiar o senso comum e fundar a Guten, startup especializada na formação de leitores. A empresária sabia que o desafio seria grande. “Apenas um em cada duzentos jovens no Brasil consegue entender um texto complexo, ou seja, são considerados leitores altamente eficientes”, explica.

Mas, o tamanho do problema não intimidou Danielle, que já coleciona conquistas na área. Fundada em 2014, a Guten já vende seus produtos para algumas escolas e desenvolve projetos com apoio da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A Guten oferece duas ferramentas para estudantes, professores e alunos: o Guten News e Guten Pro. O aplicativo Guten News, disponível para download gratuito, é um periódico digital interativo com notícias sobre temas atuais, acompanhadas de jogos e missões e orientação para pais e professores trabalharem conteúdos com os alunos.  O Guten Pro é uma ferramenta de acompanhamento continuo das competências leitoras dos estudantes.

Leia a entrevista e fique sabendo um pouco mais sobre essa iniciativa.

O que é a Guten? Como a empresa funciona?
A Guten é uma empresa de educação e tecnologia voltada para o desenvolvimento da capacidade leitora em jovens do ensino fundamental. A empresa foi fundada em 2014 e já lançamos produtos adotados por algumas escolas. Temos também parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)para o desenvolvimento de tecnologia e inovação.

De onde surgiu a ideia de fundar uma startup que trabalha com a difusão da leitura? Você se inspirou em alguma experiência fora do país?
Quando eu decidi trabalhar com educação eu fiz dois movimentos. Primeiro eu fui falar com os professores para saber quais eram os problemas e os desafios deles dentro da sala de aula. Percebi que a área de língua portuguesa é muito carente em inovação. Muito tem sido feito em matemática e ciências, mas pouquíssima atenção tem sido dada para a língua portuguesa, principalmente em inovação.

Depois de constatar essa carência local e especifica do Brasil, fui buscar ideias em outras línguas. Eu percebi que o campo do letramento ainda é uma coisa nova em todo o mundo.

A Guten acredita que grandes leitores podem ser grandes agentes de transformação da sociedade. De que forma a leitura pode modificar a realidade brasileira?
A leitura é uma competência fundamental para o acesso das crianças e dos jovens ao mundo. É um tema transversal, ela passa por todas as disciplinas. É a base de todo o conhecimento de um estudante. Não adianta ser ótimo em matemática se você não consegue ler um enunciado, assim como não adianta saber todas as equações da física sem saber contextualizar um problema.

A situação da leitura no Brasil ainda é preocupante. Em provas internacionais os jovens brasileiros, na faixa de 15 anos, não conseguem entender um texto minimamente complexo. Apenas um em cada  duzentos jovens no Brasil consegue entender um texto complexo, ou seja, são considerados leitores altamente eficientes.

Qual é motivo para essa deficiência na formação dos leitores? Falta interesse? Faltam políticas públicas?
É uma conjunção de fatores. No Brasil, o ensino da leitura ainda é feito de forma muito tradicional. A forma como outros países estão fazendo o letramento e a compreensão de textos é diferente. Estudos apontam que fornecer textos com níveis diferentes de complexidade ampliam as competências intelectuais das crianças. No Brasil essa gradação de textos mais difíceis é feita de forma subjetiva, o professor faz isso sozinho sem apoio de ferramentas computacionais que poderiam ajudá-lo.

A respeito das políticas públicas, muito foi feito no campo da alfabetização. As crianças sabem decodificar as letras, que é o básico. O próximo passo é garantir que elas consigam compreender os textos.

Além da burocracia e dos impostos elevados, quais foram os outros desafios que você enfrentou quando decidiu fundar a sua empresa?
O primeiro desafio foi formar um time, uma equipe altamente qualificada e disposta a entender que a relação risco e retorno de uma startup é muito diferente das empresas tradicionais. O segundo maior desafio foi conseguir o financiamento, porque inovação demanda investimento e os retornos demoram a aparecer.

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