Ahmad Bab é um ativista civil curdo de Marivan. Trabalhou com vários grupos civis no Curdistão Iraniano, inclusive a ONG ambientalista CHYA em Marivan.

Há dois anos, ele organizou uma manifestação pacífica com 1000 trabalhadores desempregados em Marivan em frente ao escritório do governador, com um slogan de “Pão, Paz, Liberdade”. Ele entrou e saiu de prisões da República Islâmica nos últimos sete anos pelo seu envolvimento em ativismo civil, mas desta vez as coisas foram diferentes. No dia 27 de setembro do ano passado, agentes armados invadiram sua casa à noite e o levaram. Seu filho de sete anos de idade, Karo, gagueja até hoje como resultado do puro terror que sentiu naquela noite.

Na mesma noite em que ele foi levado a interrogatório, um dos interrogadores disse aos outros: “Este cara não vai aprender, vamos arrancar os dentes dele para ver se aprende”. Eles amarraram as mãos de Ahmad e cobriram seus olhos, e três deles começaram a lhe dar socos e chutes e a espancá-lo até a inconsciência com um cinto militar pesado. Enquanto prosseguia a orgia de violência, um deles pegou um alicate e começou a arrancar-lhe os dentes inferiores. Ahmad estava coberto de sangue, mas eles continuaram a espancá-lo, quebraram suas costelas, a dor era insuportável e ele não conseguia mais nem gritar. Eles queriam que ele confessasse ter ligações com os insurgentes armados, mas ele não sabia nada sobre eles, e então eles continuaram com o tratamento pelos dias seguintes.

Usaram o bastinado em Ahmad. Começavam lendo versos do Corão, e depois começavam a chicoteá-lo nas solas dos pés, com ele deitado no chão. Ele diz que deve ter passado por cerca de dez destas sessões. Ele normalmente desmaiava depois de 30 e tantos golpes. Depois de uma sessão de tortura, seus pés estavam tão inchados das infecções que foi necessário usar uma pequena broca para furar as solas endurecidas e drenar a infecção.

Outros métodos de tortura usados nele foram pendurá-lo pelos pés, de cabeça para baixo e então apertar sua língua com um alicate enquanto ele pendia do teto. Várias vezes durante os interrogatórios, ameaçavam estuprá-lo. “Vamos fazer com você o mesmo que fizemos com aqueles em Kahrizak”. Mas o pior ainda estava por vir: a falsa execução.

Após quatro meses e cinco dias, disseram-lhe “já que você não vai confessar, vamos executá-lo”. Ahmad recebeu instruções para escrever seu testamento. Perguntaram-lhe seu último desejo, ele disse que gostaria de se limpar, e permitiram que se lavasse. Então colocaram Ahmad numa cadeira e penduraram uma corda ao redor do seu pescoço. Mesmo nesse ponto começaram a interrogá-lo por mais 45 minutos. A qualquer segundo ele esperava que alguém chutasse a cadeira sob seus pés, e então de repente alguém entrou e perguntou “quem vocês estão tentando executar?” Responderam “este é Ahmad Bab, ele não quer aprender e temos ordens de enforcá-lo”, mas ouviram do homem: “Não, ele vai se comportar, podem descê-lo”. Quando desataram a corda, ele caiu no chão, e pelos 30 minutos seguintes ele não conseguia andar e nem se sentar, deitado imóvel no chão. Sua boca estava tão seca, ele não conseguia produzir saliva.

Pelos primeiros quatro meses, Ahmad não teve contato com o mundo exterior, até que lhe disseram que poderia receber visitas. Quando sua esposa veio visitá-lo, ela foi detida por 5 horas. Ahmad acabou fugindo do Irã, mas ele quer que o mundo preste atenção na situação dos prisioneiros políticos no Irã, especialmente daqueles na região do Curdistão. Ele disse que o que estava acontecendo dentro das prisões iranianas era uma catástrofe humanitária.

Publicado no blog de Potkin Azarmehr
Tradução: Anna Lim (annixvds@gmail.com)

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