Arriba, México!

Doeu a perda do ouro na final olímpica do futebol masculino em Londres. Enfrentamos seleções sem grande tradição. Finalmente, e na condição de grande favorito, o Brasil conquistaria o único título que falta a seu estrelado futebol. Havia porém no caminho a austera equipe mexicana, que nos impediu o sonho dourado.

Na economia, o México também vem escalando o ranking dos “mercados em crescimento”, nos dizeres de Jim O’Neill em seu último livro – “The Growth Map”. Também Ruchir Sharma, chefe de mercados emergentes do Morgan Stanley, mostra em Breakout Nations como o México apresenta elementos de competitividade que ele tem dificuldade de enxergar no Brasil.

A presença corporativa do México nos Estados Unidos reverte a ideia de que a relação econômica entre os dois países resume-se às “Maquiladoras” ao sul da fronteira – indústrias de baixo valor agregado cujo destino produtivo é o mercado dos EUA.

Empresas e marcas como a operadora móvel virtual Tracfone, a indústria panificadora Bimbo, a multimídia Televisa, a cimenteira Cemex e a cerveja Corona, atestam tal ascensão.

Em referência a territórios perdidos pelo México na guerra travada com o vizinho do norte em meados do século XIX, a recente pujança mexicana nos EUA é chamada de “La Reconquista”.

Com proeminência no próprio mercado mexicano, e recursos via mercado acionário, empresas mexicanas têm realizado amplas compras de ativos industriais nos EUA e na Europa. Em comparação, a expansão das multinacionais brasileiras no exterior tem sido modesta.

Desperdiçou-se a possibilidade de expansão de propriedades empresariais brasileiras pelo mundo, o que seria facilitado durante os períodos mais fortes do real turbinado.

Apesar da crise global, a bolsa mexicana não está longe de seu recorde histórico

Há também o “fator China” na recente ascensão mexicana. Quando associou-se ao Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) em 1992, o México adotava regime cambial de grande valorização relativa do peso – algo pouco conducente a exportações, mas que dava a impressão de prosperidade pelo PIB mensurado em US$ correntes.

Como consequência, o México foi portanto admitido como membro da OCDE em 1994. Em fins daquele ano, sem reservas abundantes em dólares e com graves problemas políticos, como a Revolta de Chiapas, sobreveio a “Crise Tequila”.

Desde então, a China decolou na promoção de exportações. O México submergiu.

Nos últimos 18 anos, contudo, o PIB chinês foi multiplicado muitas dezenas de vezes – com natural aumento do custo de remuneração dos fatores.

Ao passo que a China fica mais cara, o Yuan mais valorizado e o país menos dependente de exportações, o México torna-se mais atraente. E é nesse momento que o México faz valer o fato de haver concluído 12 acordos de livre comércio com 44 países.

Apesar da crise global, a bolsa mexicana não está longe de seu recorde histórico superior a 41 mil pontos atingidos há um mês. Com inflação anual de 4%, o México deve crescer em 2012 os mesmos 3,9% de 2011.

Talvez seja por isso que, semana passada, a Nomura Equities, em matéria do “Financial Times”, previu: “na próxima década, o México se converterá na principal economia da América Latina e um dos mercados emergentes mais dinâmicos”.

Fonte: Brasil Econômico, 28/08/2012

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