As rotas para o emprego

Como retirar da miséria centenas de milhões de chineses? O Partido Comunista escolheu o caminho de integrar o mercado de trabalho da China aos mercados globais de bens e serviços. O mergulho da mão de obra chinesa nos fluxos de comércio internacional com as economias de mercado ocidentais tornou-se o principal mecanismo de criação de riqueza e de inclusão social na potência emergente. A integração da China ao capitalismo global sustenta, quem diria, o sucesso material e a longevidade política de uma ditadura comunista.

Como retirar da pobreza dezenas de milhões de brasileiros? Atendendo ao apelo de “tudo pelo social” da Nova República de José Sarney, a social-democracia de tucanos e petistas escolheu um caminho alternativo. Insiste em tornar o setor público o principal instrumento para a criação de empregos e a inclusão social dos pobres brasileiros.

Amplia os obstáculos à criação de empregos no setor privado para milhões de trabalhadores, criados por encargos sociais e trabalhistas proibitivos em meio a uma verdadeira guerra mundial por empregos.

A escolha do caminho de integração competitiva à economia mundial explica a resistência asiática aos encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre o custo da mão de obra. Explica também o superávit fiscal do governo, que permite a compra de reservas internacionais para sustentar uma taxa de câmbio favorável às exportações bem como uma política monetária de juros baixos. A dinâmica de crescimento, sustentada por formidável taxa de poupança e investimentos maciços em educação, é reforçada pela boa coordenação dos instrumentos de política macroeconômica.

O Brasil percorre outra trilha. O excesso de encargos e a legislação trabalhista obsoleta funcionam como uma alavanca da exclusão social e econômica: 50 milhões de brasileiros são excluídos dos mercados formais de trabalho, condenados à marginalização e impedidos de contribuir para a previdência social. A ênfase de atribuir ao governo o papel crítico na dinâmica de crescimento econômico empurrou os gastos públicos de pouco mais de 20% do PIB em meados dos anos 80 para quase 40% do PIB em 2010. A falta de coordenação macroeconômica, com o expansionismo fiscal exigindo permanente contenção monetária, produziu uma configuração perversa: câmbio baixo e juros altos, duas lâminas decepando empregos.

Fonte: Jornal “O Globo” – 12/07/10

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