Bem-vindo, presidente

A reflexão é do ex-presidente FHC no “Globo” deste domingo: “É um sem fim de escândalos. Sintomas de algo mais grave. É o próprio sistema político que está em causa: suas práticas eleitorais e partidárias. Nosso sistema é agora o presidencialismo de cooptação. A criação de 39 ministérios é a garantia do insucesso administrativo e da conivência com a corrupção. Por que não assumimos nossas responsabilidades para mudar o sistema e sair do lodaçal que afoga a política?” Finalmente. Bem-vindo à boa causa.

O PSDB e o PT se revezam no poder há cinco eleições presidenciais, com alianças que consideram oportunistas, retrógradas e, conforme acusações recíprocas, visceralmente corruptas.

Por que não houve uma proposta de reforma política? Por que as batalhas partidárias têm se limitado à tomada de poder? A resposta está no Princípio de Gause. Esta foi sempre uma guerra de extermínio entre espécies semelhantes – tucanos e petistas – pelo domínio de um nicho ecológico: a hegemonia social-democrata.

A corrupção sistêmica é filha bastarda de uma ininterrupta escalada de gastos públicos.

Uma vez no poder, por ignorância econômica, predisposição ideológica e também por conveniência política, continuam ambos expandindo os gastos públicos, mantendo as engrenagens centralizadas herdadas do Antigo Regime militar. Receberam em troca apoio das criaturas do pântano, políticos fisiológicos e grupos econômicos oportunistas. A hipertrofia e o aparelhamento da máquina do Estado são monumentos a essas perversas alianças.

O problema está exatamente na ausência de alternativas aos partidos social-democratas e seus obsoletos programas. O rei-sol da sociologia nativa suspeitaria de práticas não republicanas de seus partidários quando da emenda constitucional que lhe permitiu a reeleição? Teriam os petistas ultrapassado o ponto crítico até onde se poderia ir nas práticas de sempre? “A que ponto chegamos”, constata enfim FHC, com o seu saber da Sorbonne.

Por que nunca antes, em qualquer lugar do mundo, houve um programa de combate à inflação que durasse décadas? Por que estaria o Brasil condenado à mais longa sequência de bilionários escândalos políticos da História? “Enormes somas passando pelas mãos do Estado”, afirma Marx aos nossos socialistas

Por que estaria o Brasil condenado a um combate sem fim à inflação e à mais longa sequência de bilionários escândalos da História?

Fonte: O Globo, 05/05/2014

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