O Brasil na encruzilhada

Tudo indica que as eleições presidenciais de 2014 entrarão para a história como das mais disputadas. E, pode-se adicionar, das mais importantes. A importância dessa eleição se dá porque, essencialmente, teremos na cédula de votação duas visões de mundo bem diferentes, com dois modelos econômicos subjacentes bastante distintos.

O atual governo e o seu partido enxergam o estado como o indutor do crescimento econômico. Ademais, eles têm forte viés ideológico contra a economia de mercado, e ignoram décadas de aprendizado em macroeconomia, em particular, no que tange ao combate à inflação, e as receitas pró-crescimento que são conhecidas da teoria do crescimento.

Como defensores dessa visão de mundo, eles promovem todo tipo de intervenção na economia, tanto a nível macroeconômico, como controle de preços para combater a inflação e direcionamento do crédito público para os “campeões nacionais”, quanto a nível microeconômico, como mudança no marco regulatório do pré-sal e mudanças nas regras no setor de energia, entre outros.

O resultado dessas intervenções é o que vemos repetidamente no noticiário econômico – inflação alta, contas fiscais deterioradas, crescimento econômico pífio, crise no setor de energia, e o surgimento de todo tipo de distorção microeconômica. Alternativamente, os dois principais candidatos da oposição se apresentam com uma agenda econômica liberal, amiga da economia de mercado e da iniciativa privada – em nítido contraste com a visão de mundo da atual presidente.

Ambos os candidatos têm assessores econômicos competentes e conhecedores das boas práticas de mercado, sendo que alguns dos assessores são economistas de credenciais impecáveis, com ampla experiência de política econômica, e credibilidade nacional e internacional.

Ademais, os principais candidatos de oposição foram governadores capazes em seus respectivos estados, apresentando uma gestão eficiente com foco em metas e resultados, o que lhes permite mostrar aos eleitores um histórico de sucesso. O que o atual governo pode apresentar como história de sucesso? A inflação alta? O crescimento econômico pífio?

Além da visão intervencionista, o governo parece não ter um projeto para o país, e sim um projeto de poder

Ironicamente, a atual presidente foi eleita com a promessa de ser uma gestora eficiente e capaz de entregar crescimento econômico. Após, três anos e meio como presidente, já não há como esconder do público sua incapacidade na gestão do país. De fato, a presidente entregou a chamada “nova matriz macroeconômica”, um conceito econômico obscuro, que na prática minou o tripé da estabilidade macroeconômica do país (metas de inflação, superávit primário, e câmbio flutuante), gerando inflação alta e crescimento baixo.

Além da visão intervencionista, o governo parece não ter um projeto para o país, e sim um projeto de poder. Mais especificamente, o projeto parece ser o de permanência no poder por tempo indeterminado, mantendo o emprego dos “companheiros”. Esse projeto de poder, aliado as distorções do sistema político brasileiro (“presidencialismo de cooptação”) implicou num aparelhamento do estado sem precedentes na história do país.

A continuidade do modelo político-econômico adotado pelo atual governo implicará em um longo período de baixo crescimento econômico, comprometendo o bem-estar dos brasileiros.

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