Brasil tem de mudar sua inserção global

O Brasil deve mudar sua inserção global. O mundo não fará isso, é o país que precisa fazer, saber o que quer do mundo. O Brasil não faz um bom diagnóstico para onde o mundo está indo.

Assim, vai ficando fora dos eixos dinâmicos da economia global. As importações e exportações brasileiras não chegam a 20% do PIB, e o país não tem acordos de livre comércio com os principais mercados do mundo.

Além de um problema comercial, é uma questão de integração econômica, pois o Brasil se torna um ponto de interrupção logística.

Com isso, o país se distancia da elite de competitividade global. Não há um novo grande ciclo demandador de commodities à vista.

A China está mudando seu modelo econômico, de exportador para o mercado interno. Não podemos imaginar que continuará no mesmo grau de crescimento.

Seguirá com demanda de infraestrutura, proteína animal e commodities vegetais – só que nada igual à última década.

Em 2001, quando surgiu o termo Brics, a economia da China equivalia à italiana. Hoje, é quatro vezes maior (US$ 8,2 trilhões contra US$ 1,9 trilhão). Aplicava 0,6% do PIB em ciência e tecnologia. O Brasil,1%. Hoje, a China investe 1,6%. O Brasil continua em 1%.

Quando a China ultrapassar os Estados Unidos como maior economia mundial, em 10 ou 12 anos, estará investindo 3% do PIB em C&T, o mesmo que os EUA investem hoje.

A reconversão do modelo econômico chinês diminui as oportunidades relativas para o Brasil.

Os grandes beneficiários da mudança são os países que podem atrair empresas que hoje produzem na China e cujas matrizes encontram-se descontentes com os custos de produção em alta, caso da mão de obra e do preço dos imóveis.

São países como o México, que tem acordo de livre comércio com os Estados Unidos, e os do entorno geográfico chinês, como Tailândia, Indonésia e Vietnã. Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Nova York, diz que o mais impactante fenômeno da economia global nos próximos dez anos será a migração de postos de trabalho da China para outros países.

Ele estima que 100 milhões de empregos sairão da potência asiática, que deixará de ser apenas uma plataforma de produção de itens de baixo valor agregado e se concentrará em produtos que exigem conhecimento intensivo.

Em 10 anos, a China será a maior economia do mundo. Mas, ainda assim, será uma economia pobre, com um PIB de US$ 15 trilhões e renda per capita próxima a US$ 12 mil por ano, semelhante à do Brasil contemporâneo.

Nesse período, com a dinâmica que têm apresentado, Colômbia e Peru estarão parecidos com o Chile de hoje, país de melhores indicadores sociais e econômicos da América do Sul.

A Venezuela tem muitas possibilidades, mas amarras ideológicas – que também limitam Brasil, Uruguai, Argentina e Bolívia – farão com esses países tendam a ficar onde estão.

Se o Brasil continuar nessa batida, seguiremos como potência média. Em 1950, quando perdemos a Copa para o Uruguai, a renda per capita brasileira era mais ou menos um quarto da americana. Hoje, às vésperas de outra Copa, continuamos com um quarto.

Há 10 anos, o PIB brasileiro equivalia a 2,9% do mundial. Hoje, segue em 2,9%. O Brasil cresceu, saiu do lugar. Só que os outros também saíram e em ritmo mais veloz.

Fonte: Brasil Econômico

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