Peço licença ao leitor para escrever sobre um assunto que não seja logística. Uma das questões mais importantes para a humanidade é a educação, gerando crescimento econômico e social. Porém, quais são os caminhos escolhidos pelo Brasil, quando este é o assunto? Qual o cenário atual para a formação de pessoas e os caminhos futuros?

Focando este texto no ensino superior, geralmente, o conceito de “universidade” é mal utilizado. Desde a mitologia grega, este termo foi aplicado para o desenvolvimento de conhecimentos gerais, para a elite intelectual da sociedade. Neste caso, o conceito de “elite” não está associado à riqueza, mas à capacidade de investigação profunda. Todavia, não é o que se observa em média, nas instituições de ensino superior atualmente.

O principal alimento para o emprego é a apresentação de diplomas, muitas vezes emitidos sem a devida qualificação. Este comportamento anômalo justifica o número crescente de profissionais despreparados, colaborando com a redução dos salários e o aumento da procura por cursos de pós-graduação.

Deve-se entender profundamente a atual conjuntura educacional nacional. Não basta importar os modelos americanos, por exemplo, na formação de tecnólogos. O Brasil é um país com sérios problemas na educação fundamental. A hora é propícia para um levantamento de diagnósticos regionais, para melhorias do ensino.

A formação de pessoas envolve desde áreas do conhecimento como filosofia e ética, até os mais sofisticados modelos técnicos e as suas variações por área de atuação. Esta prática deveria ser comum, para justificar uma sociedade mais preparada para a vida e mercado de trabalho. Porém, muitas escolas vêm reduzindo a carga horária dos cursos, excluindo tais disciplinas, devido à necessidade por lucros e por julgá-las desnecessárias.

Logo, observa-se alunos despreparados para enfrentar problemas e para a proposta de soluções criativas, até porque o caminho buscado pelos estudantes é o da facilidade. Foi-se o tempo em que a leitura prévia de artigos, livros e a representatividade do professor como figura importante para a escola era vital. Em muitas instituições, docente rigoroso é sinônimo de desligamento, uma vez que o maior peso está na avaliação do corpo discente. Ou seja, as salas de aula tornaram-se grandes teatros para palestras, pois o cliente deve ser agradado, sem o senso crítico para a geração de conhecimentos.

De que adianta um professor com titulação de mestrado, doutorado e experiência prática, se a demanda é pela deterioração do ensino? Já está na hora do Brasil passar no teste da educação e aumentar as suas notas em comparação aos países desenvolvidos. Caso contrário, além de problemas fiscais e de infra-estrutura, somaremos a criação de analfabetos funcionais. Portanto, estaríamos brincando de escola?

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