Graças à confiança e generosidade do Instituto Millenium e da Associação Comercial de São Paulo estive hoje num debate realmente complicado. Complicado do ponto-de-vista de qualquer brasileiro sério. Por que? Porque se trata de uma discussão na qual alguns acreditam que a melhor política para se corrigir A seja X enquanto outros acham que seja Y (ou ainda Z). Ocorre que quem gosta de X acusa os que gostam de Y de serem anti-correção de A. Mutatis mutandis para Y e, claro, o mesmo vale para Z. Ao final do debate, no elevador, um adolescente que assistiu a tudo comenta: “Mas é assim mesmo. Cada um tem sua opinião, cada um defende seu ponto”. A frase me assustou. Não quero colocar palavras na boca do rapaz, mas se você acredita que política pública é sempre feita conforme as preferências de um ou outro, então algo está errado. Claro, muita gente faz asneiras inomináveis com o dinheiro público por acreditar exatamente nisto. Mas há gente séria. E, claro, a desonestidade ronda o ambiente público… Não é porque o A = desigualdade que os cientistas sociais devem se curvar à gritaria dos grupos de interesse. Não é assim que se justifica, moralmente, o gasto público. Discussão sobre política pública (ou sobre proposta de política pública) não é sinônimo de Fla-Flu. Não é este o critério. Ou não deveria ser. Falar sobre a opinião alheia aqui, criticando-a, pode ser tomado como um ato covarde. Já vi gente perder um debate e se refugiar em coluna de jornal com ofensas bem covardes. Como sempre digo, “sempre achei minha auto-crítica muito ruim”. Se o leitor me conhece, sabe que, na verdade, nada fiz do que transpor o humor marxista (de Groucho Marx) para a esfera científica: “jamais acredito num clube que me aceita como sócio”. É mais ou menos por aí, leitor. A mensagem que tentei transmitir hoje foi bem simples: política pública redistributiva tem custos e benefícios. Qual o custo? Qual o benefício? Quem paga a conta? Não ouvi um único comentário a respeito. Mas ouvi palmas e vaias, como no Fla-Flu. Ou num programa da MTV. Sou pessimista? Nem tanto. Como bom liberal, acredito no debate. Mas a sensação de que as pessoas – especialmente as mais jovens – se deixam convencer por visões rasteiras dos debates (”toda opinião contrária à minha é ‘do mal’ e, portanto, merece vaia e vice-versa”) permanece. Ninguém quer discutir porque, claro, o debate é um “teatro burguês”. Quem perde? A discussão séria sobre o uso dos recursos tomados de terceiros via impostos, vulgo, política redistributiva. Quem ganha? Esta pergunta fica para o leitor.

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