Carta aberta aos caminhoneiros

O sentimento de indignação é de todos.

Não há quem depende do seu próprio trabalho que não esteja insatisfeito com o grau de intervenção governamental em suas vidas.

Somos taxados, regulados, tutelados, controlados e punidos como nunca fomos antes.

É por isso que grande parte da população vem apoiando a chamada “greve dos caminhoneiros”.

Uns chegam a dizer que é a transposição de “A Revolta de Atlas” (Sextante, 2010) para a realidade.

Acredito que pouquíssimos de vocês, caminhoneiros, estão familiarizados com a novela da escritora Ayn Rand, que retrata uma greve daqueles que fazem o motor do mundo funcionar.

Com certeza, seu líder Ivar Schmidt nunca ouviu falar do significado da frase: “Quem é John Galt?”
John Galt era o rebelde por trás do movimento que clamava por liberdade e respeito à propriedade, material ou intelectual, que são direitos inerentes à natureza do homem.

Digo que não leu e não conhece, porque os pleitos estabelecidos por ele ferem, mais uma vez, os direitos de todos os brasileiros.

Gostaria que os caminhoneiros tivessem a consciência do equívoco moral e econômico de suas pretensões

A quase totalidade dos que apoiaram a greve, imaginava que as reivindicações da categoria, se resumiriam ao pedido de menos regulação, menos impostos, mais liberdade e mais respeito à iniciativa privada e ao livre-mercado. Única maneira para diminuir a crônica corrupção existente no país, e as amarras que impedem que a sociedade construa os caminhos para sua própria prosperidade.

Vejo com tristeza que a pauta apresentada pelos grevistas segue a mesma retórica que sempre fez parte do sindicalismo tradicional, tão bem representado pelo PT: mais governo, mais subsídio, mais privilégios, mais imoralidade.

Usar o governo, sinônimo de força, de coerção, para empurrar para a sociedade inteira, os custos dos privilégios demandados pela classe, é uma vergonha e uma traição com aqueles que julgavam este movimento como sendo diferente de todos os demais.

Infelizmente, mostra-se agora que não é. É apenas mais uma demonstração de comezinha ambição pelo imerecido.

Gostaria que os caminhoneiros tivessem a consciência do equívoco moral e econômico de suas pretensões. Sonhava com o dia que uma categoria dessas, viesse a público gritar “Quem é John Galt?”, em respeito à liberdade e à propriedade dos demais.

Lamentavelmente, nos deparamos com mais uma corporação associando-se ao governo para pedir por “almoço grátis”.

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