Tenho me dedicado, nos meus artigos, a debater um pouco o assunto da educação no Brasil. Embora não seja um especialista no assunto, um traço do debate sobre educação no Brasil me assusta: a mania de grandeza. O velho slogan ecologista “Pensar globalmente, agir localmente” parece fazer muito pouco sentido quando se debate as políticas governamentais em relação ao ensino público. Em termos de instalação física temos, nos CIEPs, um caso emblemático. Os CIEPs são grandes, arquitetonicamente padronizados e caros de manter. As obras públicas ligadas à educação são, via de regra, demonstrações de poder do executivo, mas pouco pensadas para satisfazer as necessidades das comunidades. Quando se lançaram os primeiros CIEPs em 1985 a motivação era revolucionar a educação investindo em ensino de tempo integral. Pois bem, a boa e velha mania de re-inventar a roda não funcionou. Ao invés de tentar revolucionar a educação como um todo não era melhor aperfeiçoá-la, corrigi-la? Um breve exemplo do que se passa hoje vem de uma diretora de CIEP no estudo “PARA ONDE CAMINHAM OS CIEPS? UMA ANÁLISE APÓS 15 ANOS” de Ana Maria Cavaliere e Lígia Martha Coelho: “O prédio concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer requer uma manutenção constante e nem sempre o número de funcionários e a verba recebida contribui para que o espaço físico se apresente em perfeita condição, muitas vezes prejudicando a rotina da escola. Problemas constantes como infiltrações, falta de água, consumo elevado de material de limpeza, corrente de vento do refeitório, defeitos nos banheiros, barulhos nas venezianas de alumínio, fazem parte de nossa história”. Quando falamos de currículo educacional, temos escolas e educadores que tentam seguir programas onde há a preocupação com a linguagem rítmica, ou com a ” ‘desocultação’ das verdades postas pela ideologia dominante” (Multieducação: Núcleo Curricular Básico). Vendo os resultados desse tipo de metodologia nos jovens de 18, 19 e 20 anos não consigo imaginar como o ensino de ritmos deve ter sido mais frutífero para eles do que o português. Eu preferiria que meu filho soubesse escrever antes de se tornar um percussionista engajado. Parece que não podemos nos contentar com a solução dos problemas de baixo para cima, feitos realisticamente; tudo tem que ser rápido, em massa e revolucionário. Acabamos não fazendo nada disso direito. As vezes acho que o problema do setor público no Brasil não é de má gestão ou corrupção, mas sim de mania de grandeza. Construímos elefantes brancos um atrás do outro, mas não nos preocupamos com que a educação realmente deve proporcionar que é um ensino de qualidade. Ao invés de garantir o básico e daí partirmos para uma educação mais sofisticada queremos sempre construir um novo mundo. Periga enterrarmos o nosso futuro e o dos nossos filhos em um cemitério de elefantes brancos.

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