Chegamos à metade do ano e é premente uma análise sobre como deve evoluir a economia nos próximos meses, diante de um quadro eleitoral cada vez mais acirrado. A partir do candidato eleito, é preciso definir também como será a postura deste diante de uma agenda pesada de ajustes em 2015.

Pelo quadro eleitoral, pesquisas recentes indicam a candidata à reeleição Dilma Roussef perdendo “substância” e os candidatos da oposição (Aécio Neves e Eduardo Campos) avançando pouco (ou parados). Na mais recente, pelo Datafolha, na semana passada, Dilma recuou três pontos, a 34%, Aécio perdeu um ponto, a 19%, e Eduardo Campos passou de 11% a 7%. Segundo analistas, este recuo dos candidatos decorreu do aumento dos indecisos, com 30% dizendo que votariam em branco.

Além disto, alguns fatos nestas pesquisas merecem atenção: Dilma Roussef chega à Copa do Mundo enfraquecida, momento importante na corrida presidencial; há um grande clamor por mudanças da sociedade, com indicadores pedindo mudança, em torno de 70%, contra apenas 21% que acreditam que estas podem ser obtidas com o mesmo governo; Lula seria o candidato com mais condições de realizar estas mudanças, seguido por Aécio; e a rejeição contra a candidatura de Dilma continua elevada, em torno de 35% a 40%, enquanto que contra Aécio e Eduardo Campos recua bastante.

No momento há uma forte correlação entre as eleições e como reagem os mercados e a economia doméstica

Importante salientar, no entanto, que a candidata Dilma, neste momento, possui uma vantagem considerável: a máquina pública é favorável; o tempo de TV é de 16 minutos (com Aécio possuindo cerca de 6/7 minutos e Eduardo Campos, 4 minutos); há muita “capilaridade” regional, principalmente pela penetração dos “programas de transferência de renda”, como a distribuição de Bolsas Famílias, beneficiando mais de 35 milhões de brasileiros, sem esquecer os palanques regionais com partidos da base governamental.

Por outro lado, muitos consideram a hipótese de segundo turno, já que algumas pesquisas mostram a diferença entre Dilma e Aécio caindo num hipotético segundo turno para algo em torno de 8% (Dilma 46% e Aécio 38%). A partir deste fato, seria outra eleição com a disputa entre os dois candidatos. Uma indagação, no entanto, é relevante: para onde migraria o eleitorado do PSB?

Sendo assim, neste cenário político polarizado entre PSDB e PT, devemos definir, a partir destas pesquisas, quais os candidatos com maior chance de vitória, mesmo que no segundo turno e, a partir daí, quais ajustes seriam realizados em 2015. De antemão, façamos uma análise da economia neste ano, para depois traçar o cenário de 2015, como já dito, período de ajustes. Achamos que no momento há uma forte correlação entre as eleições e como reagem os mercados e a economia doméstica.

Desempenho do PIB
Depois de avançar apenas 0,2% no primeiro trimestre, deve recuar neste segundo trimestre (-0,5%), contra o anterior, com a indústria ainda frágil, acumulando estoques, pela fraca demanda na Argentina, queda de confiança dos agentes, corrosão da renda pela inflação, aperto de crédito, dada a limitada capacidade de endividamento dos agentes, e câmbio desalinhado. Cabe salientar que este ambiente de incertezas deve impactar na decisão de investimento, com a Formação Bruta de Capital Fixo em recuo no primeiro trimestre (-2,1%), devendo manter este ritmo neste ano. Neste caso, destaquemos a redução da produção e importação de máquinas e equipamentos e a construção civil parada, com a queima de estoques e poucos lançamentos. Com isto, ao fim deste ano estamos prevendo a economia rodando em torno de 1,2% a 1,4%, com serviços e agropecuária avançando pouco e a indústria no negativo.

Inflação
Vem recuando nas últimas semanas, saindo um pouco do radar dos mercados, embora ainda preocupando o comportamento dos serviços, as oscilações do câmbio, ainda mais com a proximidade das eleições, e o fim do represamento dos preços administrados, devendo deslanchar ao fim deste ano e início do próximo.

Taxa de juros
Parada agora em junho nos 11%, depois de decisão do Copom, diante de uma inflação desacelerando com os preços dos alimentos em patamar mais baixo. Isto, no entanto, deve impactar ainda mais no ritmo da economia, assim como nos encargos da dívida pública. Ao fim deste ano estimamos o juro a 11,25%, pois acreditamos que superadas as eleições o governo deve começar a reajustar os preços administrados.

Taxa de câmbio
É possível que o governo desmonte sua política de vendas no futuro de contratos de swap cambial semanais ao fim deste mês. Este processo, no entanto, será bem cauteloso, dada as pressões recentes sobre a taxa nos últimos dias, chegando próxima a R$ 2,30. Nos próximos meses, com as eleições, esta cotação deve volatilizar ainda mais. Ao fim do ano, estimamos R$ 2,45, podendo até passar disto, caso confirmada a vitória de Dilma Roussef.

A partir destes indicadores, tem-se a economia rodando pouco, inflação recuando mensalmente, mas ainda pressionada pelos serviços e preços administrados, câmbio depreciando e juro elevado a 11,25% ao final do ano. As contas públicas devem se manter deterioradas, assim como as externas, o que deve colocar o país sob pressão das agências de rating.

Definido-se o quadro eleitoral, dois seriam os candidatos ao segundo turno, a nosso ver, com mais chances: a presidente Dilma e o candidato Aécio Neves. Pelo panorama atual, analisando as pesquisas até o dia 6 de junho, a presidente teria chances de vitória em torno de 60% e o candidato do PSDB, em torno de 40%. Cabe salientar, no entanto, que esta seria uma análise de momento, com a Dilma na frente nas pesquisas. No entanto, com a economia perdendo dinamismo, o impacto sobre a candidatura da Dilma é inevitável, perdendo apoio pesquisa a pesquisa, o que deve sinalizar até as eleições uma virada de cenário. Aguardemos.

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