Como saber se o professor dá certo?

Educação infantil. Veja que diálogo estranho:

— O que você faz?

— Sou professora de educação infantil.

— E o que você leciona?

— ????

A anedota sugere a complexidade do tema. Na educação infantil, são inadequados termos como “professor”, “ensino” e alguns outros que são próprios da cultura escolar. Na educação infantil, o professor cuida da criança (inclusive no sentido de protegê-la de riscos) e com ela interage para estimular seu desenvolvimento. Ninguém ensina uma criança a falar no sentido escolar da palavra, mas é preciso haver estímulos para que a criança aprenda a falar. As competências de um bom educador na educação infantil têm menos a ver com o domínio de conteúdos — embora alguns sejam essenciais — e mais a ver com a capacidade de conhecer a criança e saber como interagir para estimulá-la de forma adequada e no momento adequado.

Em primeiro lugar, ele precisa dominar muito bem os conteúdos que leciona. Em segundo, saber ensinar e transmitir os conhecimentos com entusiasmo

Séries iniciais — Em todo o mundo, essa é a etapa mais suave de todo o processo educacional: as crianças se encontram numa fase de desenvolvimento favorável ao desenvolvimento cognitivo e já possuem capacidade de disciplina e concentração suficientes para engajar-se em trabalho acadêmico sério. Saber ensinar nas séries iniciais requer competências muito específicas. Todos os professores das séries iniciais — especialmente dos dois dos três primeiros anos — precisam saber como alfabetizar e como lidar com alunos que não se alfabetizaram no 1º ano. Precisam dominar as metodologias específicas do ensino de cada disciplina — especialmente de língua portuguesa, matemática, ciências e artes, bem como saber relacionar os conhecimentos de umas com as outras.

Séries finais — Saber ensinar nas séries finais apresenta dois desafios. O maior deles é motivar os alunos e mantê-los interessados. Isso requer um esforço coletivo da escola para criar um clima acadêmico: um professor sozinho dificilmente consegue avançar muito. O outro desafio, relacionado com o primeiro, consiste em motivar os alunos para estudar, aprender e se esforçar mesmo quando eles não entendem a razão de ser de um determinado conteúdo. Para isso, o professor precisa conhecer muito bem o conteúdo: para mostrar suas possíveis utilizações ao longo da vida.

Como saber se um professor dá certo?

Na maioria dos países, os sistemas de ensino adotam mecanismos de estágio probatório para aferir a capacidade pedagógica do professor. Basicamente existem dois modelos, que podemos considerar como “melhores práticas”.

Nos países de cultura saxônica, toda formação profissional se faz por meio do sistema chamado dual, em que os alunos trabalham parte do dia e estudam na outra parte — a parte de estudos serve de guia e apoio para as atividades práticas. Dessa forma, tudo que os alunos aprendem na faculdade é diretamente relevante para o ensino, e tudo que eles observam ou veem nas escolas é trazido de volta para análise e reflexão na faculdade. Teoria e prática andam de mãos dadas. Mas, é claro, os professores dessas universidades são, antes de tudo, mestres na arte de ensinar, e não apenas portadores de diplomas de doutorado.

Na maioria dos demais países existem estágios probatórios, que nada têm a ver com o formalismo dos estágios probatórios no Brasil. Nos sistemas mais bem organizados, os professores têm uma série de etapas a vencer ao longo dos dois a três primeiros anos, sob a supervisão de professores devidamente certificados. Dados os desafios de ser professor, cerca de 50% dos candidatos abandonam a ideia de seguir na carreira nesses três primeiros anos. Os que ficam nas escolas estão prontos para iniciar um bom trabalho.

Este é um dos maiores desafios que o Brasil — e seus municípios — terá para preparar um quadro de professores bem formados com as competências práticas necessárias. Faltam os mestres, as matrizes, os professores-referência dentro das escolas. Existem algumas alternativas que podem ajudar na transição. Por exemplo, desenvolver estratégias especificas que permitem ao professor lidar com habilidades críticas no ensino. Há vários modelos como o CLASS, KIPP e Khan Academy que permitem dar passos seguros e decisivos na boa direção.

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