Confiança na mídia brasileira

Pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, ouviu mais de 70 mil pessoas em 36 países e e concluiu que a mídia brasileira é uma das positivas.

Segundo o levantamento, é a que desperta mais confiança no mundo depois da mídia da Finlândia. Em termos percentuais a distância é muito pequena: a mídia no Brasil ficou com 60% na opinião dos leitores contra 62 da filandesa.

Tal indicador ganha ainda mais significado porque o país vive um delicado momento de consolidação democrática em que a mídia tem assumido papel preponderante. Ser merecedora da confiança do leitor significa que vem sendo uma ferramenta básica para informação e formação da população, o que, de fato, equivale dizer que uma sociedade bem informada decide melhor e faz escolhas melhores. Em outras palavras, é sinônimo de que há luz no fim do túnel e que os fatos terminam por prevalecer.

O Relatório de Jornalismo Digital 2017, parte da mesma pesquisa, por sua vez, demonstra que as redes sociais começam a sentir os reflexos negativos da proliferação das notícias falsas ou fake news. Como consequência, no Brasil e em diversos países, o aplicativo WhatsApp vem ganhando espaço por ser um meio mais privado de informações. Corresponde a 46% da preferência dos entrevistados para acessar e compartilhar notícias, com aumento de 7% em relação ao ano anterior. Isto também é um avanço porque significa que o critério da credibilidade que é válido para a mídia tradicional também é para a digital, como se uma fosse a outra. Ambas são serviços públicos e necessitam inspirar confiança, diferindo apenas no critério da velocidade. Em termos diversos, as virtudes da mídia, como assinava Rui Barbosa, se há liberdade, terminam expulsando seus vícios.

Tanto é assim que a pesquisa registra no Brasil, como fato positivo, a criação de equipes, por parte das empresas jornalísticas, para investigação da veracidade das notícias. E o que é mais importante: a iniciativa partiu das próprias empresas, uma demonstração de que a autorregulação é positiva e dá certo. Checar os fatos à exaustão é uma das regras de ouro do jornalismo, em essencial quando se trata de denúncias e põe em questão a reputação das pessoas.

Por fim, a pesquisa da Universidade de Oxford demonstra também que o celular é mais utilizado que o computador para procurar notícias. É a primeira vez que isso acontece e nas regiões urbanas o fenômeno atingiu 65% dos entrevistados. Da mesma forma o Brasil é um dos países onde mais se compartilha notícias, 64%. Equivale dizer que o acesso às notícias ocorre com mais rapidez e que há uma busca incessante da notícia real, com perda de terreno para a fake news . Ou seja, o leitor tem amadurecido no processo e, com ele, a mídia tem evoluído. É uma relação enriquecedora, com o leitor-espectador contribuindo para aprimorar a mídia e vice-versa. Com isso, ganham todos, sobretudo a democracia e a liberdade de expressão e de imprensa.

Fonte: Instituto Palavra Aberta, 04/07/2017.

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