Corrupta e injusta

O governo Temer acaba de enveredar por equivocado caminho que repetidamente anunciou ter intenção de evitar: aumentou encargos sobre salários para reduzir o déficit fiscal.

No momento em que o desemprego em massa atinge 13,5 milhões de brasileiros, o governo lança sobre empresas e trabalhadores as mais terríveis armas de destruição em massa das oportunidades de emprego.

Aumentar encargos em meio a brutal recessão, tendo permitido aumento de salários, pensões e benefícios sob pressão do funcionalismo público, revela um governo sem a coragem de fazer o necessário.

Esta foi a maldição lançada por Dilma Rousseff sobre o governo atual, revelada em entrevista ao jornal “Valor”: “Temer é um cara frágil. Fraco. Medroso. É um cara que não enfrenta nada”. Avançariam como sempre pela linha de menor resistência, de um lado, recuando pelo temor de enfrentar interesses corporativos organizados, de outro.

Se a terceirização da mão de obra tinha apoio parlamentar porque atende aos interesses estatais e também aos de seus fornecedores, o aumento de encargos desempara milhões de trabalhadores que os parlamentares deveriam representar pelo voto popular.

O governo ensaia os mesmos passos hesitantes e injustos no ajuste fiscal da Previdência, quando fabrica extrema desigualdade entre idosos chapa-branca e os demais, em vez de se guiar pelo princípio de convergência das pensões e benefícios previdenciários, reduzindo abusivos privilégios no setor público.

Por que os servidores públicos com altos salários, planos de saúde e de aposentadoria generosos e com estabilidade no emprego devem ter aumentos garantidos se há um déficit fiscal a exigir a elevação de encargos trabalhistas no setor privado?

Por que o governo não reduz as isenções fiscais das entidades “pilantrópicas” que usam recursos públicos para subsidiar a saúde e a educação dos mais ricos, enquanto instituições de ensino e de saúde que atendem aos mais pobres pagam impostos e recolhem encargos sociais e trabalhistas?

Por que subsidia interesses corporativos de grupos privados que privilegia como seus interlocutores na condução das políticas públicas nos setores em que já desfrutam de enorme grau de concentração?

A Velha Política não se revela apenas corrupta, mas também injusta

Fonte: “O Estado de S. Paulo”, 4 de abril de 2017.

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