CPMF: carta aberta a deputados e senadores

Prezado(a) deputado/senador(a),

Venho por meio deste texto, solicitar que vossa excelência se manifeste publicamente quanto a sua posição sobre a reapresentação da famigerada CPMF.

Tomei a liberdade de enviar esta mensagem com cópia a várias pessoas do meu círculo social, bem como alguns meios de comunicação, para que sua resposta venha alcançar o maior número de pessoas e que, desde já, tenhamos como avaliar os atos dos nossos representantes. Informo-vos ainda que encaminharei texto semelhante aos demais deputados eleitos e respectivos senadores.

É público e notório que o Brasil possui umas das maiores cargas tributárias do planeta, acima dos já exorbitantes 35%, e a arrecadação federal tem crescido ano após ano. A própria CPMF não acarretou perdas efetivas para o governo federal, haja vista que foi substituída por um aumento do IOF, e, como já citei anteriormente, a arrecadação subiu nos últimos 8 anos o equivalente a duas CPMFs.

Portanto, é uma afronta a inteligência, ao bolso e a moral alheia qualquer tentativa de ressuscitar algo que onere ainda mais o contribuinte, extorquido diariamente pelo governo.

E o que temos em contrapartida? Serviços medíocres, tendo que pagar planos de saúde e escolas particulares para nossos filhos – isto para os que têm condições -, pedágios nas estradas, taxas abusivas por prestações de serviços pífios, até mesmo a segurança tem que ser reforçada por empresas privadas.

Isto é problema de gestão, não de arrecadação!

Há uma infinidade de parlamentares estúpidos, que visando única e exclusivamente a eleição, jogam para a platéia sempre onerando ainda mais o Estado, sem responsabilidade fiscal alguma.

Eu, como cidadão e contribuinte, não quero saber quem criou essa excrescência, muito menos qual argumento para colocá-la novamente em pauta, pois não há nada que justifique o retorno do tributo. Lembro ainda que toda vez que se aumenta a taxação, o custo é repassado automaticamente ao consumidor final, que é quem efetivamente paga a conta pela farra com o erário.

Definitivamente, o maior gargalo do país é com a corrupção: como os “dez por cento” cobrados pela ampla maioria dos parlamentares a cada emenda aprovada pelo repasse ilegal a corruptos e corruptores – estes, de certa forma superfaturam as obras para adocicar as contas de quem lhes favorece com benesses estatais -, e não venha me dizer que isso não existe porque é conhecido por todo cidadão que já entrou e viu como funciona qualquer órgão do poder público, seja municipal, estadual ou federal.

A legislação, assim como a doutrina jurídica – algo extremamente favorável aos que usurpam nossos cofres – contribuem para a impunidade reinante. Basta ver quantos dos atuais parlamentares estão respondendo a processos, ou já responderam, ou ainda, que foram denunciados em esquemas espúrios. Infelizmente, para quem tem condição de pagar um bom advogado, não há Lei. Pode ter vídeo, gravação, documento assinado, nada consegue alcançá-los. O instituto da imunidade parlamentar já deveria ter sido sepultado há anos.

Alonguei-me um tanto neste ensaio, mas aguardo ansiosamente seu posicionamento. E digo mais, não cessarei a cobrança enquanto não obtiver uma resposta oficial, e recomendo aos demais que me leem, a fazerem o mesmo.

Desde já, agradeço sua atenção.

Afonso Vieira

Ps. Enviei esta mensagem para todos os senadores e deputados do meu estado, ao menos para os que consegui o correio eletrônico. Exceção a apenas um deles, que não tem esta informação disponível em nenhum site, nem no twitter, facebook ou orkut (Edson Giroto), e um outro que seu correio, ainda como deputado estadual, retornou o e-mail (Reinaldo Azambuja). Eu, se fosse o leitor, faria o mesmo com seu candidato, agora!

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5 comments

  1. Maysa Moreno

    Prezados Senhores,
    Parabéns!!! Uma carta muito bem escrita e com tema de suma imnportância ao país.
    Minha sugestão: Acredito que ficaria bem melhor se todos pudessem se manifestar com um abaixo assinado neste site por exemplo (idônio), com nome, RG e e-mail do assinante. Assim quando tivesse um bom número de participantes, poderia ser entregue pelo organizador ao Congresso.
    Cordialmente,
    Maysa

  2. Maysa Moreno

    O problema não são os impostos, o problema é que não temos benefícios em troca. Na França, na Itália por exemplo, paga-se muito mais que aqui, mas com a diferença de que lá eles usufruem de uma qualidade de vida excelente, apesar dos problemas da crise econômica atual. Bom sistema de saúde, segurança, boas estradas, boa educação. Indica que o dinheiro é melhor usado e devolvido à população devidamente em seus direitos.

  3. Valdecir Gimenes

    Cartas como essa vem nos mostrar que nosso país ainda é um paraiso para politicos corruptos e ladrões…que o erario publico serve para a farra de poucos, que manipulam uma massa que se deixa manobrar….que nos falta, são lideres para que possamos virar esse jogo e para quem simplesmente diz que não gosta de politica aconselho a ler na integra esse manifesto…quero sempre me somar a quem esteja disposto a mudar a historia DO NOSSO QUERIDO BRASIL…

  4. João Nemo

    O problema são os impostos sim. Não apenas em volume, mas em modelo estrutural e de coleta. Os maus serviços, o volume e a baixa qualidade dos impostos coletados são coisas diretamente relacionadas. É a facilidade com que se criam novos e mais vorazes impostos que alimenta a displicência na aplicação dos mesmos, a baixa qualidade na utilização dos já existentes e o inchaço da máquina pública. O contribuinte brasileiro tem que pagar, não chiar e, se quiser qualidade em alguma coisa, pode tentar pagar de novo.

  5. Marco Balbi

    Parabéns pela iniciativa! Provavelmente se farão de surdos! Seria interessante cobrar uma posição dos governadores, uma vez que, segundo as informações disponíveis, seriam eles que estão postulando tal necessidade! Só cabe aqui uma ressalva: a “taxa de sucesso” de 10% já foi superada pela inflação! Dependendo, pode alcançar até 30%!