Creches: para quê? Para quem?

De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 29 de março de 2017), mais de 60% das famílias de brasileiros de todos os níveis de renda e regiões do país gostariam de colocar seus filhos em creches.

E de acordo com estudos do IDados (www.idados.org.br), cerca de 41% das crianças de famílias mais ricas e 17% das famílias mais pobres frequentam creches.

Portanto, se as creches fazem diferença no desenvolvimento e no progresso escolar das crianças, é possível que as políticas públicas em vigor estejam aumentando as desigualdades de oportunidade. Será?

Há muitos estudos científicos sobre o tema, inclusive alguns realizados no Brasil. Eis as principais conclusões:

Primeiro, creche só faz diferença na escolaridade posterior e ao longo da vida da criança se for muito boa. E em todo o mundo, até em países desenvolvidos, a quantidade de creches muito boas é muito reduzida.

Segundo, creche ruim piora o desempenho das crianças na escola e na vida, especialmente as crianças que vivem em famílias de nível socioeconômico mais baixo.

Terceiro, meninas resistem melhor à falta de creche ou a creches em piores condições – creches de qualidade média ou ruim são mais prejudiciais para os meninos.

Quarto, no caso brasileiro, análise recente do IDados mostra que crianças que frequentam creches mais a pré-escola têm desempenho escolar pior do que crianças que só frequentaram a pré-escola e um pouco melhor do que crianças que só começaram a escola no Ensino Fundamental. Mas esses poucos ganhos desaparecem no 9º ano.

Mas o que caracteriza uma creche muito boa?

É o mesmo que caracteriza uma educação boa em casa: adultos que conhecem e gostam da criança, que interagem com ela de maneira adequada e frequente, estimulando-a a enfrentar desafios compatíveis com seu nível de desenvolvimento.

Essa descrição mostra como é difícil qualquer instituição – pública ou privada – reproduzir aquilo que se pode fazer em uma família. Mas também fornece elementos para identificar as características de uma creche de boa qualidade.

Fonte: “Veja”, 19/06/2017 .

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