Domingo, 4 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Cuidado com o bolso, pessoal

Bem que a gente tenta. Mas a verdade é que a turma do governo não permite que se faça silêncio em torno do que tem sido a tônica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff: o aumento da carga de impostos para cobrir os rombos deixados pela irresponsabilidade fiscal dos últimos 12 anos. Entra semana, sai semana e alguém dá um jeito de soltar um balão de ensaio que, se não for logo abatido pela reação contrária da sociedade, acaba se transformando em lei e tomando um pouco mais do dinheiro do cidadão. O balão da vez foi a volta da CPMF, que o ministro Arthur Chioro vinha discutindo a boca pequena com os governadores mais próximos do PT e com alguns prefeitos de capitais como a melhor alternativa para financiar o sistema de saúde. Se colasse, representaria alguns quilos a mais no fardo que a classe média já tem carregado para sustentar a ineficiência do governo.

O tributo, como se sabe, é aquele que tunga um pouco de cada movimentação financeira realizada no país e repassa o dinheiro para o erário. O pretexto, desde que surgiu pela primeira vez, é que, com ele, fica mais fácil ampliar os benefícios do SUS. Na verdade, trata-se de um dos piores impostos já criados pela mente sórdida dos inventores de maneiras de meter a mão no bolso do povo e tudo o que havia para ser dito em sua defesa já foi. Mas seus custos para a sociedade sempre foram maiores do que os benefícios que ele foi capaz de gerar. Mesmo assim, volta e meia aparece alguém interessado em trazê-lo de volta à vida. Chioro e seus amigos petistas vinham tratando da questão com desenvoltura, com a devida autorização da presidente Dilma Rousseff. O assunto chegou até a ser levado ao Congresso do PT, realizado em Salvador, tudo indica que, dali, sairia como uma proposta oficial do partido do governo.

O xis da questão

O problema é que Chioro se esqueceu de discutir o problema com a turma da Fazenda. E bastou o ministro Joaquim Levy abrir a boca e dizer uma única frase em contrário para jogar por terra toda a articulação que o diligente ministro da Saúde vinha fazendo. Esse é o xis da questão. O Congresso do PT em Salvador deixou claro o que todo mundo é capaz de ver: o partido da presidente da República quer fingir que não faz parte do governo. Com a desculpa esfarrapada e eleitoreira de que as medidas de ajuste patrocinadas neste segundo mandato se afastam daquilo que o partido sempre defendeu, os companheiros sempre dão um jeito de criticar Levy. Mas não têm a coragem de ir contra ele e recuam sempre que ele abre a boca – até porque sabem que, se esticarem demais a corda e o ministro cair, a situação do governo ficará ainda pior do que está.

Onde está Marina?

E a ex-senadora Marina Silva, aquela que disputou as últimas eleições presidenciais pelo PSB… alguém a viu por aí? Marina desapareceu do mapa e ninguém sabe o que ela pensa a respeito da situação do país.

Ninguém conhece suas soluções para a crise, a recessão e a situação fiscal. Daqui a pouco tem eleição de novo e ela ressurgirá com o mesmo discurso salvacionista de sempre.

Fonte: Hoje em Dia, 14/06/2015.

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