Não é preciso ser astrólogo ou economista para saber que o ano que vem vai ser um dos mais difíceis de nossa história recente. Com a inflação em alta, o crescimento em baixa e a expectativa de o escândalo da Petrobras se tornar uma tsunami na política brasileira, quem vencer a eleição terá pouco tempo para comemorar, num país dividido entre nós e eles, quando a união nacional é indispensável para as reformas que a sociedade exige e estão paralisadas pela luta política.

Campanhas eleitorais não são para fracos, mas, desta vez, 71% dos eleitores dizem que elas ultrapassaram todos os limites, rebaixando a política a um ramo da publicidade e do marketing de destruição, em que o principal objetivo foi mostrar, provar e reafirmar ao eleitor quem era o pior, fazendo as qualidades dos candidatos despertarem menos entusiasmo do que a repulsa aos adversários. É assim que a emoção vence a razão e o medo vence a esperança.

O pior efeito colateral das campanhas é dificultar ao máximo a convivência democrática de quem vencer com uma oposição forte, representativa e combativa

O pior efeito colateral das campanhas é dificultar ao máximo a convivência democrática de quem vencer com uma oposição forte, representativa e combativa, num momento dificílimo para o país, quando será mais urgente tomar providências do que apontar vilões e perseguir adversários.

A tsunami da Lava-Jato provocará uma devastação no Congresso Nacional, que dividirá com o/a presidente a responsabilidade de enfrentar o que vem pela frente. Com os partidos desmoralizados, com que representatividade serão feitas as reformas tributária, política e eleitoral?

Algumas grandes empreiteiras que financiam as campanhas já estão procurando a Justiça para negociar acordos de leniência, dispostas a colaborar nas investigações e pagar os prejuízos à Petrobras e pesadas multas para não ter seus diretores, ou até presidentes, presos.

Além de rezar para o cenário da economia internacional não piorar, o maior desafio da/o eleita/o, mais do que baixar a inflação, fazer o país voltar a crescer, ampliar a inclusão social, melhorar os serviços e desbaratar as quadrilhas que assaltam o Estado, será unir o país — para viabilizar essas ações e atravessar as turbulências de 2015.

Feliz 2016!

Fonte: O Globo, 24/10/2014

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