De volta às aulas: as escolas particulares são boas?

Esta é a famosa pergunta cuja resposta vale 1 milhão de dólares. E não vale responder “depende”. Nem dizer “de um lado…. por outro lado”. Afinal, as escolas particulares no Brasil são boas ou não?

Comecemos pelos números: as matrículas nas escolas particulares, da creche ao final do ensino médio, representam 18% do total. São 36,4% na creche, 25% na pré-escola, 16,2% no ensino fundamental e 13% no ensino médio. Como a maioria dos alunos são pagantes podemos afirmar que a maioria dos alunos das escolas particulares provêm das classes A e B (Abep/IBGE, 2014) e alguns poucos da classe C.

A proporção de matrículas no ensino privado tem variado pouco ao longo dos últimos vinte anos, portanto podemos concluir que as crises econômicas não afetam muito o comportamento das famílias em relação ao ensino privado — trata-se de uma prioridade.

O que as famílias valorizam na escola?Possivelmente a resposta comum a todos será: uma boa educação. O diabo mora nos detalhes: o que significa “uma boa educação” vai variar muito de família e de escola. Para muitas será um lugar perto de casa; para outras, um lugar mais seguro, previsível e confiável; para algumas um lugar acolhedor ou que dá atenção individualizada; para outras um lugar que assegure um bom preparo para o vestibular — e por aí vai. Cada cabeça uma sentença.

Uma das formas de avaliar a “qualidade” da escola é medindo o desempenho dos alunos. Há um desempenho absoluto — o que eles sabem ou em que vestibular conseguiram passar. E há um desempenho relativo — que leva em conta a origem socioeconômica dos alunos. Isso é importante porque a família em que a criança nasce e os amigos com quem o jovem convive explica muito do seu desempenho escolar.

O que dizem as evidências? Em termos de desempenho relativo há algo a favor das escolas particulares: alunos de nível socioeconômico mais baixo têm resultados melhores nas escolas particulares do que nas públicas. Há algo no ensino ou no ambiente dessas escolas que leva esses alunos a se esforçar mais e aprender mais.

Mas em termos de desempenho absoluto a maioria das escolas privadas brasileiras, inclusive as de elite, são medíocres. O desempenho absoluto de nossos melhores alunos, cuja maioria estuda nas nossas melhores escolas, é equivalente ao desempenho médio dos alunos dos países desenvolvidos. Ou seja, a escola acrescenta pouco ou nada e exige pouco, inclusive de alunos que provêm de ambientes mais favorecidos. Ou seja: o ensino no Brasil é muito fraco, mesmo na maioria das chamadas “boas escolas” — a maioria esmagadora das quais são escolas privadas.

Fonte: “Veja”, 9 de março de 2017.

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