Depois de mim, dizia Luiz XIV, o dilúvio

O fim de Chavez põe fim à novela de realismo mágico em que havia se transformado a questão de sua doença. Como a morte não tem ideologias nem interpretações políticas, o que pode ser dito agora é que Chavez deixa uma enorme emoção no povo venezuelano mas também um vazio que nenhum de seus seguidores poderá preencher a curto prazo, pelo menos.Todo líder autoritário e carismático passa todo o seu tempo no poder equilibrando diversas correntes mas reservando para si próprio a essência do poder e arbitragem final. Há na Venezuela uma comprovação desta lógica política. Certamente, Nicolas Maduro tem o privilégio da última vontade de Chavez e, por isso, será o candidato imbatível do chavismo nas eleições presidenciais que ocorrerão em trinta dias. A oposição nesse momento não poderá contrapor- se, com qualquer chance de vitória.

A médio prazo porém, a coesão do chavismo será duramente posta a prova

A médio prazo porém, a coesão do chavismo será duramente posta a prova pelas medidas de austeridade que o governo terá inevitavelmente que tomar em razão da situação precária da economia venezuelana. O pai do povo- Hugo Chavez – tudo podia. Seus sucessores não têm sua intransferível estatura e precisarão adotar políticas em nada compatíveis com a felicidade geral que o líder morto sempre prometeu, embora nunca tenha cumprido. A sociedade venezuelana acreditava nele, em boa parte por efeito já citado do realismo mágico latino americano. Acreditará nos herdeiros? Não é a mesma coisa, diria o Barão de Itararé. O que pode acontecer então é uma evolução que só os videntes podem decifrar. Mas a história ensina que, depois dos reis sol, como dizia Luiz XIV, resta o dilúvio.

Fonte: O Globo

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2 comments

  1. Romão Miranda Vidal

    O dilúvio começará, no exato momento que os Estados Unidos, deixarem de importar petróleo venezuelano e incrementar a impotação via Colômbia e não mais exportar, proteínas nobres,peças de reposição, medicamentos, máquinas pesadas, sistemas de suporte de T.I.,alimentos básicos, que não só fe proteínas nobred, como arroz, açúcar,feijão.
    Simplesmente ignorar a Venezuela, por 3 a 4 anos e a catastrofe colombiana terá o seu inicio. O Brasil poderá suprir a parte alimentícia. Mas qual indústria, cooperativa ou empresa que aceitará uma Carta de Crédito Venezuelana, acredito que nem o Iran e Cuba..

  2. Regina Caldas

    E no estado em que se encontra a economia venezuelana é certo que ocorrerá o dilúvio. E os venezuelanos jogarão toda a culpa no Maduro. Será o fim do bolivarianismo…felizmente!