No desafio da equidade, todos quer dizer todos

Em tempos de generosidade restrita e de vocalização aberta de preconceitos, nada parece mais fora de moda do que falar de equidade. Mas é exatamente por esse quadro, em que se crê que cabe a cada um cuidar de sua vida na disputa por sucesso, que se torna urgente pensar em igualdade de oportunidades ou, em outros termos, que todos possam sair da mesma linha de partida.

Ora, se, como divulgou o IBGE nesta semana, a formação e os rendimentos futuros dos filhos dependem, em boa medida, da escolaridade dos pais, não há nenhuma justiça na disputa. Para construir um cenário mais justo, em que pobreza e exclusão não sejam destino, a educação pode ser um mecanismo.

Para tanto, deve-se começar cedo na vida de uma pessoa, de acordo com o relatório do Unicef “Oportunidades justas para cada criança”, com educação infantil de qualidade, além de cuidados e nutrição adequados. Na falta de vagas para todos, nesse contexto, a prioridade nas creches públicas deveria ser para os mais pobres, que delas dependem para reduzir a desigualdade no seu desempenho futuro.

A abordagem não para por aí. O ensino deve acontecer de forma que todos aprendam, não apenas os já motivados ou com um bom repertório cultural na família. A concepção de um sistema competente de identificação de falhas de formação e de reforço escolar, associado com uma abordagem mais inclusiva no processo de ensino, é fundamental.

A escola deve ser apoiada num esforço para tratar de forma diferente cada aluno e esta é a grande diferença entre equidade e igualdade: para distintas necessidades e estilos de aprendizagem, recursos e processos adaptados a elas. Isso inclui alunos com deficiência, superdotados ou com fragilidades de formação. Trata-se de um desenho universal de aprendizagem que contemple a todos.

Professores
A busca da equidade demanda também atrair os melhores professores para os alunos que deles mais precisam. Isso pode significar pagar mais para professores que dão aulas em favelas em áreas violentas, em escolas rurais ou locais isolados. Essas escolas precisam também de maior suporte para assegurar que os alunos não abandonem as aulas e, de fato, desenvolvam tanto competências cognitivas como sócio-emocionais.

Nivelamento
Finalmente, cabe a cada nível de escolaridade preparar a transição para a etapa seguinte e, ao absorver alunos com falhas de formação, não lavar as mãos. Um jovem universitário despreparado pode avançar muito se a escola criar programas de nivelamento ou cursos de verão para os que ainda não estão preparados. É possível construir um país mais justo para todos! Todos quer dizer todos.

Fonte: Folha de S.Paulo, 18/11/2016.

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