Um dos princípios da Administração é colocar cada coisa, ou cada um, no seu devido lugar.
No caso de máquinas: cada uma é concebida com determinado fim; disposta de acordo com a planta industrial, e ali permanece por anos, enquanto manutenções e “upgrades” garantirem a qualidade de seus produtos e sua produtividade; ou até que novas máquinas as tornem obsoletas. Seu destino, então, poderá ser outra indústria, de menor porte; outro país; ou, no limite: a “canibalização”, o desmanche, o sucateamento.

Será que é diferente com o ser humano?

O fantasma da obsolescência também está presente, e de forma ainda mais dramática. Mas a principal diferença é que as máquinas ainda não acumulam experiência de vida, por mais “inteligentes” que sejam. E mesmo que o façam, seus “instintos” não estão tão evoluídos a ponto de saberem conciliar emoção com razão, produzindo motivação, superação, enfim, resultados que surpreendem até os mais otimistas.

É certo que ninguém é insubstituível, qualquer que seja a posição ocupada no organograma da empresa, mesmo os donos. A diferença é que estes últimos contratam quem os substitua. Afora isso, existe uma guerra pela sobrevivência no mercado, em que se busca extrair o máximo possível dos equipamentos e equipes, pelo estabelecimento de metas cada vez mais complexas e audaciosas.

Até aí, nada de mal. O problema é como é feita essa “extração”:

Alguns se apropriam de ideias alheias; exigem sem dar respaldo; capitalizam sucessos; transferem fracassos; sugam até a última gota de sangue; praticam assédio moral, como parte integrante de sua estratégia gerencial. E a única motivação que oferecem é a alternativa da demissão. E quanto mais competente for o subordinado pior, pois permanecerá nas mesmas coordenadas como uma máquina, só que sem “manutenção” ou “upgrade”. E sair nem sempre é solução, pois há os que chegam ao absurdo de bloquear transferências.

Esse tipo de “gestor empresarial” pode conhecer todo tipo de modelo administrativo; viajar pelo mundo para conhecer sua aplicação na origem; ler todos os livros e assistir todas as palestras sobre o tema; aprender todos os “segredos” da PNL, mas nunca será um ser humano decente. Seus “colaboradores”, depois de espremidos e exauridos, serão descartados sem dó, no melhor estilo Maquiavel/Sun Tzu, provavelmente seus autores prediletos.

Recitam todas as frases feitas que aprenderam em seminários de conferencistas “consagrados”, mas são incapazes de perceber seus próprios defeitos ou a insatisfação dos colaboradores. Provavelmente nunca perguntaram se eles estavam felizes com sua vida profissional, pois os veem como peças de uma máquina que deve fazer sua própria manutenção.

Mas também existem executivos que sabem reconhecer e valorizar méritos, e dar oportunidades de evolução para quem tem potencial. O colaborador que já mostrou sua competência e acumulou experiências ao longo do tempo pode, quer e merece ampliar seus horizontes profissionais. Às vezes estas possibilidades ocorrem dentro da mesma empresa, só que em outros setores. Um gerente realmente competente saberá contornar a “perda” desse elemento, e a empresa só terá a ganhar com isso.
Iniciativas desse tipo com certeza dispensarão motivações inócuas, do tipo: “É preciso vestir a camisa…”, ou exortações ilusórias, tais como: “Primeiro é preciso mostrar serviço…”, que mesmo quando é mostrado, nunca é suficiente, desmotivando mais ainda.

Se as empresas realmente querem incentivar e tirar máximo proveito positivo de seus funcionários, inclusive revelando líderes comprometidos com seu desenvolvimento, é indispensável potencializar e realizar ascensão profissional.

Assim, colocar cada um no seu devido lugar não é imobilizar, mas dar mobilidade, por merecimento. Assim, não será necessário pedir para o colaborador “vestir camisa”: ele já virá de casa com o uniforme completo todos os dias. E pronto para uma saudável “briga”!

Deixe um comentário