Do país do “porque sim” ao país do “por que não?”

Há 25 anos, em 1986, se encerrava o último (espero) período de ditadura brasileiro, com a eleição presidencial indireta de Tancredo Neves e José Sarney. Há 17 anos, em 1994, com a edição do Plano Real, se iniciava o atual período de estabilidade econômica, com inflação controlada. Talvez poucos tenham se dado conta, mas 25 anos é o mais longo período contínuo de democracia que nosso país já viveu em seus 511 anos de história.

Se agregarmos a ele os 17 anos de controle inflacionário, chegaremos à constatação – para muitos desapercebida – que os brasileiros que estão nos bancos escolares, da pré-escola à universidade (tipicamente, de três a 24 anos), nasceram em uma democracia e aprenderam a lidar com dinheiro em um ambiente sem inflação. Isso muda algo? Para mim, muda muita coisa. Muda porque grade parcela dos brasileiros não foi formada no ambiente de curto prazo criado pela inflação nem tampouco no silêncio amedrontado da ditadura.

Não é a toa que o Brasil experimenta um contínuo e vigoroso período de transformação econômica nas últimas duas décadas. Entra ministro e sai ministro e o Brasil segue no rumo. Entra presidente e sai presidente, e as coisas seguem adiante.

Para mim, não foi nem FHC nem Lula que nos propiciaram o que o Brasil vive hoje: foi a democracia e a estabilidade econômica que – elas sim – propiciaram que eles fossem eleitos, cumprissem seus mandatos e transmitissem a presidência sem angústias, tentativas de golpe ou mazelas afins.
 Nosso país não depende mais do ‘homem’ que manda em tudo e todos. Não é mais o país do “porque sim!”, resposta tradicional daqueles que gostam de mandar. Contudo, ainda precisa se transformar no país do “por que não?”, aquele país onde a inovação é parte do dia-a-dia e onde os cidadãos apresentam alternativas ao big government criado pela nossa história de homens fortes.

É chegada a hora de perguntar: Por que não um governo menor? Por que não menos burocracia para empreender? Porque não menos dinheiro em publicidade do governo e mais dinheiro em infraestrutura para a produção? Por que não emendas parlamentares mais inteligentes e menos paroquiais? O censo 2010 mostra que 80 milhões de brasileiros têm menos de 25 anos. Se somarmos a estes aqueles que tinham dez anos na redemocratização, constataremos que a maioria dos brasileiros se tornou ou se tornará ‘gente grande’ em uma democracia que constitucionalmente valoriza a liberdade de iniciativa, em um Estado Democrático de Direito. Temos que enterrar o discurso da “ditadura” e abraçar de vez o discurso de um governo a serviço do país. Não precisamos de um governo forte, mas de uma sociedade forte. Por que não começar agora?

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