Domingo, 11 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Doze milhões de nãos

Não bastou reinstalar a inflação. Desorganizar a economia nacional que havia saído do “ninguém sabe o preço de nada”, também não importou. Vender energia a preço vil, não era importante. Dar regalias aos fabricantes de automóveis e geladeiras, também não. Assim como emprestar dinheiro aos que não precisavam, a juros negativos, enquanto aos necessitados verdadeiros eram cobradas as taxas mais altas do mundo.

Estimular encher os tanques de gasolina barata, era um barato. Matraquear bondades falsas era um prazer diário. Falsear dados dos dinheiros públicos era o deleite dos que, embora sabendo do crime que praticavam preferiam manter seus prazeres passageiros, a gritar contra os absurdos praticados, destinados unicamente a enganar a população com um torpe e traiçoeiro motivo: ganhar uma eleição.

Idolatrar falsos líderes e tentar criar novos à custa de esmolas mensais, foi uma tentativa fracassada. Usar a corrupção como arma de dois canos: um para enriquecer e outro para desmoralizar a empresa brasileira, foi um escorregão traumático.

Destruir as empresas estatais, aproveitando suas fraquezas de origem – não tem donos, nem quem cobre resultados – foi uma viagem tenebrosa. Os verdadeiros donos, os cidadãos brasileiros, testemunharam a mais absurda e contundente bandidagem com resultados tenebrosos para todos.

Mas o maior mal, o mais nefasto resultado de toda esta melancólica ladainha, foi o desemprego gerado por tanta desonestidade. Os doze milhões de brasileiros – multipliquemos por três ou quatro – incluindo os membros da familia de cada um, estão pagando o preço terrível da boa fé. O amargor profundo de ter acreditado em promessas vãs e desonestas que trouxeram, para cada um deles, sofrimento imerecido, dor inaceitável e desesperança que, ainda hoje, os deixa sem paz para dormir, para acreditar no futuro melhor para sí próprio e seus filhos.

O Brasil, entretanto, vai sair desta encrenca, armada por maus cidadãos, por quadrilhas organizadas e patrocinadas por quem dispunha de poder.

Vai sair. Falando a verdade, discutindo os erros passados e confrontando a necessidade de enfrentar um porvir cheio de dificuldades. É preciso, daqui pra frente, usar a comunicação, não para anúncios fantasiosos, mas para informar às pessoas, sem economês enganador, os problemas encontrados, oferecendo as soluções que, se exequíveis, possam ser avaliadas e questionadas por todos.

Só o trabalho, aliado a uma educação de base que nos emparelhe com países desenvolvidos e um esforço nunca antes experimentado, em busca de produtividade e inovação, nos trará ao caminho do verdadeiro progresso. Não com o ganhar fácil, vendendo favores e facilidades, mas com o denodo e a capacidade de cada um.

O Brasil não precisa só de educação de alta qualidade, nem só estradas, de portos, de aeroportos, de agua limpa e esgoto, de saúde, de justiça rápida e para todos, de impostos justos e de fácil arrecadação, de menos burocracia ( razão de tantos males) mas, especialmente, de aprender a lidar com a democracia verdadeira, onde o igualar de todos prevaleça sobre as regalias de alguns. Onde a qualidade pessoal não seja derrotada pela indicação de poderosos. Onde os empresários ganhem dinheiro mercê de seus atributos em produzir um serviço ou um produto de qualidade e a preço competitivo, e não graças a ajuda que deu a alguém. Finalmente, onde a nação seja maior do que todos nós.

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