E agora, presidente Dilma?

Adriano-Pires Instituto Millenium

A Petrobras divulgou um surpreendente prejuízo líquido de R$ 1,35 bilhão no 2º trimestre de 2012 (2T12). Esse prejuízo da Petrobras é resultado de uma política de intervenção que começou há 10 anos e desviou o foco da empresa, que deixou de ter a eficiência e a lucratividade.

A Petrobras vem sendo usada como instrumento de política industrial através da obrigatoriedade de um conteúdo local mínimo elevado nos seus investimentos, tendo como resultado um aumento de custos, atrasos e queda na produção.

A estatal petrolífera também é usada como instrumento de política econômica, ao não reajustar o preço dos combustíveis no Brasil de acordo com o preço internacional, com o objetivo de controlar a inflação.

Adicionalmente, como os preços domésticos dos combustíveis também não são reajustados quando há desvalorização do câmbio, a empresa é impedida de se apropriar de seu hedge natural por ser uma empresa produtora de commodities.

O prejuízo líquido da estatal foi uma redução de 115% no lucro registrado no 1T12 e 112% no lucro do 2T11. No 2T12, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda, foi de R$ 10,6 bilhões, valor 35,8% inferior ao do 1T12 e 33,4% inferior ao valor registrado no 2T11, ao passo que a receita operacional líquida aumentou 2,9% sobre o 1T12 e 11,5% sobre o 2T11.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 6,4 bilhões, contra um resultado financeiro positivo de R$ 465 milhões no 1T12, em função da depreciação cambial de 11% sobre o endividamento.

A mudança definitiva depende da postura do acionista majoritário, o governo, em relação ao seu ativo

Os resultados do trimestre refletiram principalmente a desvalorização do real, afetando o resultado financeiro por meio do endividamento denominado em dólares; maiores gastos com baixas de poços secos ou subcomerciais; realização de paradas na produção para manutenção; maiores custos de extração e, acima de tudo, a defasagem dos preços dos combustíveis em relação aos preços internacionais.

A produção de petróleo e gás natural apresentou uma queda quando comparada ao 1T12, com redução de 4%, e se manteve estável em relação ao 2T11. A redução na produção reflete paradas operacionais e interrupção da produção no Campo de Frade.

Do ponto de vista de perspectiva futura, é consenso de que um novo salto na produção, que possibilite uma melhora no resultado da empresa, só é esperado a partir de 2014.

No curto prazo, é preciso que se retome o foco na lucratividade o mais rápido possível. As medidas e os programas anunciados pela nova diretoria, com o objetivo de retomar padrões de eficiência e de racionalidade na execução de projetos, terão efeitos limitados e a política de preços continua a impor prejuízos à empresa.

No entanto, a mudança definitiva depende da postura do acionista majoritário, o governo, em relação ao seu ativo. Um bom começo seria a concessão de um novo reajuste no preço dos combustíveis, que continuam defasados e já comprometem o resultado do terceiro trimestre.

O impacto do alinhamento de preços no resultado da Petrobras seria instantâneo e seria uma ótima sinalização de que a empresa estaria retomando altos padrões de governança.

Fonte: Brasil Econômico, 09/08/2012

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