Sábado, 10 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

A economia da autoestima

Será que voltaremos à economia da autoestima? É aquela que se rotula progressista. Acha que pode criar progresso “incentivando a produção e o consumo”, aumentando o tamanho do Estado e fechando a economia. Quem não concorda é contra o progresso, os trabalhadores e os pobres. Os progressistas são criacionistas laicos, acham que o mundo foi criado por algum deus único chamado governo.

A economia da autoestima não precisa de realidade, apenas de superioridade moral. Por exemplo, não adianta “vontade política” para enfrentar o problema fiscal, pois para o Brasil, ajuste fiscal não é uma escolha.

Mas nem os piores adversários do PT imaginavam o estrago que o progressismo petista iria causar. Já desempregou mais de dois milhões, criou a Bolsa Empresa, a Bolsa Meu Dízimo (alguns bolsistas na prisão) e conseguiu uma depressão inusitada. A realidade ridiculariza o PT.

Mas se buscamos achar “os bons” para colocá-los no governo, o esforço da Lava-Jato será jogado no lixo. Temos um arcabouço institucional em política e economia que estimula ineficiência e corrupção. E ineficiência estatal é pior que a corrupção. Não temos especiais culpados, foi tarefa de séculos. Para revertermos, precisamos reformar esse arcabouço institucional. Temos outra chance com esta crise.

Reformas na direção de abertura econômica, empreendedorismo, simplificação reguladora e desestatização geram progresso permanente. No “milagre alemão”, a Alemanha Ocidental (1947) tornou-se o mais rico europeu em uma década.

A abertura e desestatização total das duas Alemanhas e sua reforma do Estado do Bem-Estar dos anos 90 tornaram a nova Alemanha capaz de ancorar a União Europeia e criar uma sociedade de altíssimo padrão de vida.

E nos anos 90 andava-se por um shopping sul-coreano e não se via uma única máquina registradora. Empresas pequenas muito contribuem com empregos e pouco com impostos.

Presidente Dilma, o outro mundo em que a senhora acreditava não é possível. Sumiu num buraco negro intelectual uns 40 anos atrás. Vários partidos e políticos pelo mundo entenderam e fizeram mudanças de rumo. A senhora pode salvar o seu cargo e seu legado.

Pobreza se reduz de modo permanente, com competição e produtividade. A população mundial em pobreza absoluta caiu 80% entre 1974 e 2006, a maior queda da história humana, com as reformas mencionadas anteriormente.

Fonte: “O Globo”, 18 de fevereiro de 2016.

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