Se um aluno muito inteligente descobre que se esforçar para tirar notas mais altas não lhe vale nada, a não ser a alcunha de CDF, o que deve fazer? Muito honestamente, se for inteligente, estudar o mínimo suficiente para ser aprovado e aproveitar o resto do tempo fazendo outras coisas. Bom, isso é o que a maior parte dos nossos alunos faz. Em uma sociedade onde a competição saudável não é estimulada o que se pode esperar de seus jovens? Em excelente artigo para a Red Liberal, Xavier Sala-i-Martin comenta situação análoga na Espanha: “Nossos representantes quiseram que o aprendizado estivesse ligado ao jogo, à diversão e à falta de esforço e que se eximisse as crianças de toda a responsabilidade… e isso é exatamente o que temos obtido: crianças irresponsáveis, incapazes de fazer algum esforço que não traga gratificação imediata e que não dominam ferramentas básicas para serem lançados ao mundo como a matemática e a leitura. Um bom sistema educativo deve ensinar que a vida não é uma grande casa do Big Brother onde analfabetos e desocupados podem ganhar fama e dinheiro sem trabalhar, esperando simplesmente que se produza um golpe de sorte. As crianças devem aprender que, na vida real, não se passa de ano sem fazer esforço.” Aqui no Brasil, o medo da competitividade exarcebada e da rigidez excessiva dos colégios do começo do século XX parece ter gerado nos educadores um total desprezo pela idéia de que a competitividade, em doses razoáveis, é fundamental para qualquer um. A razão principal disso é que o mundo é competitivo, portanto privar as crianças da habilidade de competir é incapacitá-las. Óbvio que o rigor excessivo em estágios precoces pode ser danoso, mas é extremamente preocupante quando se olha para um quadro inteiro da sociedade brasileira e não se vê rigor nenhum. Se alunos da escola pública são aprovados automaticamente, se cotas levam em conta a origem e não o desempenho e se crianças não são estimuladas a se esforçar para crescer, o que se pode esperar no futuro? Uma sociedade que faça como o urso Balu, personagem de Mogli – o menino lobo, viva sua vida na base do necessário, somente o necessário. Afinal, para que aspirar a algo mais?

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